Especialista em astronáutica explica os desafios e processos do retorno da espaçonave após sua jornada com quatro astronautas

O retorno da cápsula Órion da missão Artemis II envolve um processo complexo de reentrada atmosférica e desaceleração para garantir a segurança da tripulação.
Processo detalhado do retorno da cápsula Órion na missão Artemis II
O retorno da cápsula Órion da missão Artemis II para a Terra, previsto para sexta-feira (10), envolve um procedimento complexo que exige precisão e proteção máxima, conforme explica o especialista em astronáutica Pedro Pallota. A cápsula, que transporta quatro astronautas, passará por uma reentrada atmosférica em velocidade de aproximadamente 38.400 km/h, enfrentando temperaturas de até 2.500ºC no escudo térmico.
O sistema da Órion é dividido em dois módulos principais: o módulo de comando, que abriga os astronautas e possui o escudo térmico, e o módulo de serviço, responsável por energia e propulsão, que é descartado antes do retorno e não possui proteção para a reentrada. Essa separação é fundamental para a segurança da tripulação, já que somente o módulo de comando retorna à superfície terrestre.
Desafios térmicos e melhorias após a missão Artemis I
A reentrada da cápsula é um dos momentos mais críticos da missão. Na Artemis I, o escudo térmico apresentou cerca de 100 furos de diferentes tamanhos, o que, embora não tenha colocado a missão em risco, gerou preocupação nas autoridades espaciais. Para Artemis II, a NASA implementou alterações na forma de realizar a reentrada para reduzir o estresse no escudo térmico e aumentar a segurança.
A proteção contra o calor extremo gerado pelo atrito com a atmosfera é essencial, pois o escudo dissipa a energia da velocidade hipersônica para permitir uma desaceleração gradual. Segundo Pallota, o processo ocorre sem qualquer freio ativo da espaçonave; ela simplesmente entra em contato com a Terra na velocidade adquirida durante a missão.
Comunicação interrompida durante a reentrada devido ao plasma
Durante a reentrada, a cápsula cria uma camada de plasma ao seu redor devido ao atrito com a atmosfera, o que provoca o chamado “blackout de comunicações”. Nesse período, a NASA perde temporariamente contato com a tripulação, situação semelhante ao que ocorre na passagem pelo lado oculto da Lua.
Essa interferência ocorre porque o plasma impede que os sinais de rádio saiam ou cheguem à espaçonave, criando uma janela crítica mas esperada no processo de retorno.
Desaceleração progressiva e uso dos paraquedas
A desaceleração da cápsula acontece gradualmente à medida que a atmosfera atua como um freio natural. A velocidade transita de hipersônica para níveis em que é seguro acionar os paraquedas. Esses paraquedas são ativados nos momentos finais da descida para garantir um pouso confortável e seguro no oceano, evento denominado “splashdown” ou “amerissagem”.
Este estágio final é essencial para garantir a integridade dos astronautas e da cápsula ao tocar a superfície líquida, completando assim a complexa operação de retorno.
Impacto da missão Artemis II no futuro das explorações espaciais
O sucesso da reentrada e recuperação da cápsula Órion representa um avanço significativo para a NASA e para as futuras missões tripuladas à Lua e além. Os aprimoramentos no escudo térmico e os procedimentos de retorno refletem o aprendizado obtido nas missões anteriores e a busca contínua por segurança e eficiência.
Esses passos são fundamentais para o planejamento de viagens espaciais mais longas e complexas, consolidando o retorno humano à exploração lunar e a preparação para futuras expedições a Marte e outros destinos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br







