Reflexões sobre o consenso necessário para orientar reformas e garantir desenvolvimento sustentável

O Brasil enfrenta a urgência de construir consensos para um crescimento econômico sustentável.
A urgência do crescimento sustentável no Brasil
A cada dia que passa, a necessidade de um crescimento sustentável se torna mais evidente no Brasil. A economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi, destaca que o país deve construir consensos mínimos que direcionem reformas e engajem a sociedade nesse desafio.
Historicamente, o Brasil tem enfrentado dificuldades em criar um ambiente que favoreça o desenvolvimento econômico contínuo. A produtividade, por exemplo, se encontra estagnada há décadas, o que limita o potencial de crescimento do país. A OCDE aponta que, desde 2010, o crescimento potencial brasileiro tem desacelerado, refletindo problemas em áreas como tecnologia, educação e eficiência.
A necessidade de consenso e engajamento
A discussão sobre o crescimento econômico no Brasil ainda é superficial. Desde os tempos do Consenso de Washington, não há um conjunto claro de prioridades que oriente as políticas públicas, levando a uma falta de previsibilidade que impacta negativamente os negócios. O desafio é engajar a sociedade em torno de um crescimento que não só aumente o PIB, mas também melhore o bem-estar social.
Além disso, o Brasil enfrenta um cenário em que as regras e a burocracia predominam, dificultando a inovação e a aprendizagem. A falta de poupança e a alocação ineficiente de recursos também são questões prementes que precisam ser abordadas. No entanto, existem oportunidades significativas a serem exploradas, como a energia limpa e um agronegócio eficiente, que podem alavancar o desenvolvimento.
Projetos mobilizadores e pilares do crescimento
A discussão europeia sobre crescimento sustentável sugere que é necessário um projeto mobilizador que transcenda governos. Para isso, Vescovi propõe três pilares essenciais: estabilidade institucional e regulatória, uma agenda contínua de produtividade e inovação, e investimentos estratégicos com uma governança sólida. Essas escolhas políticas devem ser feitas com maturidade institucional e um comprometimento com o futuro do país.
Objetivos claros e mensuráveis
O Brasil precisa estabelecer um núcleo mínimo de objetivos nacionais que sejam reconhecidos pela sociedade como essenciais. Isso inclui a elevação da produtividade, a simplificação de regulações, a modernização do Estado e a qualificação da força de trabalho para uma economia digital. A atualização dos programas deve considerar as dinâmicas sociais e demográficas atuais, especialmente em segurança pública.
Os países que conseguiram superar a armadilha da renda média seguiram este caminho, com clareza de prioridades e a construção de compromissos institucionais duradouros. Sem um consenso que una esforços, a política brasileira se reduz a disputas sobre os meios, enquanto os fins permanecem negligenciados.
Conclusão: a importância da urgência
Para que o Brasil avance, é fundamental que a sociedade — trabalhadores, empresas, academia e governos — retome o centro do debate sobre o crescimento. Assim como já foi possível construir consensos para combater a inflação em momentos críticos, é viável desenvolver diretrizes que promovam o desenvolvimento. Crescer exige escolhas e consensos, e a falta de ação pode resultar em desperdício de oportunidades históricas. Portanto, é necessário agir com senso de urgência para garantir um futuro próspero para o país.
Fonte: www1.folha.uol.com.br







