Neuromielite óptica exige diagnóstico rápido para evitar cegueira e paralisias

Doença autoimune rara atinge sistema nervoso central e demanda tratamento imediato para preservar qualidade de vida

Neuromielite óptica exige diagnóstico rápido para evitar cegueira e paralisias
Neuromielite óptica é doença grave que exige diagnóstico rápido • Freepik

Neuromielite óptica é doença rara que pode causar cegueira e paralisias, exigindo diagnóstico e tratamento precoces para evitar sequelas graves.

A importância do diagnóstico precoce da neuromielite óptica

A neuromielite óptica é uma doença autoimune rara que afeta o sistema nervoso central, caracterizada por ataques inflamatórios que podem causar cegueira e paralisias. O diagnóstico precoce é fundamental para prevenir sequelas graves, especialmente porque a doença pode evoluir rapidamente, afetando a visão e os membros. Segundo a neurologista Samira Apóstolos, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, identificar os sintomas iniciais, como perda súbita de visão e dor ocular, é essencial para iniciar o tratamento adequado e preservar a qualidade de vida.

Perfil dos pacientes e incidência da doença no Brasil

A neuromielite óptica afeta majoritariamente mulheres jovens entre 30 e 40 anos, com maior incidência em indivíduos de etnias asiáticas e africanas. No contexto brasileiro, isso se traduz em maior ocorrência entre mulheres pretas e pardas. O oftalmologista Emerson Castro, do Hospital Sírio-Libanês, ressalta que a presença de dor ocular acompanhada de baixa visão deve ser vista como um sinal de alerta imediato. A doença pode manifestar-se também com sintomas medulares, como fraqueza nos membros e perda de controle dos esfíncteres, agravando o quadro clínico.

Causas imunológicas e mecanismos da neuromielite óptica

A origem da neuromielite óptica está na produção de anticorpos que atacam a proteína aquaporina 4, presente nas células cerebrais, da medula espinhal e nervos ópticos. Essa proteína funciona como um “portão de água” para o cérebro, e sua agressão resulta em inflamação e danos neurológicos. A especialista Samira Apóstolos explica que, ao invés de proteger o organismo contra agentes externos, esses anticorpos atacam erroneamente essa proteína, desencadeando uma reação autoimune que compromete o sistema nervoso central.

Desafios no diagnóstico e acesso aos tratamentos no Brasil

Apesar da importância do diagnóstico rápido, o tempo médio para confirmação da neuromielite óptica no Brasil pode variar entre 6 a 18 meses, aumentando o risco de recorrência dos sintomas e agravamento das sequelas. O exame de detecção do anticorpo anti-aquaporina 4 foi incluído no rol do SUS desde 2025, facilitando o diagnóstico. No entanto, o acesso aos tratamentos específicos ainda enfrenta obstáculos, pois os medicamentos aprovados para a doença não estão disponíveis no SUS nem no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Assim, pacientes dependem de tratamentos “off-label”, que podem ser menos eficazes.

Tratamento e perspectiva para pacientes com neuromielite óptica

O manejo da neuromielite óptica divide-se em fase aguda e fase crônica. Na fase aguda, utiliza-se altas doses de corticosteroides ou plasmaférese para controlar a inflamação. Já na fase crônica, o foco está na prevenção de novos surtos com medicamentos imunobiológicos. Embora existam três medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a dificuldade de acesso no Brasil compromete o tratamento ideal. A neurologista Samira Apóstolos enfatiza que a intervenção correta no momento certo é fundamental para evitar perda de funções neurológicas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Conscientização e avanços na luta contra a neuromielite óptica

O Março Verde é uma campanha nacional que visa ampliar a conscientização sobre a neuromielite óptica, propondo a instituição do Dia Mundial da NMOSD em 27 de março. A Associação Brasileira de Neuromielite Óptica destaca a importância de políticas públicas que garantam não só o diagnóstico, mas também o acesso efetivo aos tratamentos. O Ministério da Saúde, por meio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), mantém a avaliação contínua de novas terapias para oferecer soluções sustentáveis e adequadas à população afetada.

A neuromielite óptica é uma condição grave que requer atenção médica imediata ao surgimento dos sintomas iniciais. Com o avanço no diagnóstico e o empenho em ampliar o acesso aos tratamentos, espera-se melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes no Brasil.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br