Ricardo Nunes tenta reverter decisão judicial sobre Transwolff

Prefeito de São Paulo busca manter decreto de caducidade.

Ricardo Nunes tenta reverter decisão judicial sobre Transwolff
Painel.

Prefeito de São Paulo busca reverter decisão judicial que anulou contrato com a Transwolff, envolvida em investigações.

O cenário político em São Paulo se intensifica com a recente decisão judicial que pode impactar a gestão de transporte público na cidade. No centro da controvérsia está a concessionária de ônibus Transwolff, que atende aproximadamente 555 mil passageiros diariamente e é alvo de investigações por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O embate judicial da Transwolff

Ricardo Nunes, prefeito da cidade, anunciou que buscará reverter a decisão do juiz Randolfo Ferraz de Campos, da 14ª Vara da Fazenda Pública, que concedeu uma liminar favorável à Transwolff, anulando os decretos que rescindiram os contratos da empresa com a gestão municipal. Este decreto foi assinado em 5 de dezembro de 2025 e tinha como base alegações de irregularidades e problemas operacionais.

Na mesma data, uma ordem separada da Vara de Crimes Tributários e Organizações Criminosas determinou a suspensão das atividades da Transwolff. Essa ação, que tramita em sigilo, visa evitar a rearticulação de grupos criminosos, mesmo após a caducidade da concessão.

A posição da gestão Nunes

“Vamos reverter no Tribunal. No mesmo dia, após essa decisão dada sem ouvir a prefeitura, outra decisão no âmbito criminal garante que não existe hipótese de a Transwolff retornar ao sistema”, declarou Nunes. Ele enfatizou que a gestão municipal não teve a oportunidade de apresentar sua defesa antes que a liminar fosse concedida.

A defesa da Transwolff

A Transwolff, por meio de nota oficial, afirmou que não recebeu notificação sobre a decisão na esfera criminal e defendeu a legalidade de suas operações, negando qualquer envolvimento com atividades ilícitas. A empresa destaca que a liminar que suspendeu a caducidade foi concedida com base no princípio de risco de dano irreversível e que a gestão Nunes está proibida de contratar outras empresas para os lotes operacionais da Transwolff, devendo devolver a concessão.

“A Transwolff repudia veementemente qualquer tentativa de associação com organizações criminosas”, conclui o comunicado.

O que está em jogo

O desfecho dessa batalha judicial poderá ter repercussões significativas para o transporte público em São Paulo, que já enfrenta desafios relacionados à segurança e eficiência operacional. A SPTrans, empresa municipal responsável pela gestão do transporte, já havia assumido as operações da Transwolff desde abril de 2024, em meio a uma intervenção municipal, devido a problemas de gestão e alegações de irregularidades.

Com a situação ainda em desenvolvimento, a cidade observa atentamente os próximos passos de Nunes e as implicações legais que essa disputa poderá trazer para a mobilidade urbana em um dos maiores centros urbanos da América Latina.

Fonte: www1.folha.uol.com.br