Operação Compliance Zero e casos no STF desafiam gabinete de Dias Toffoli

Investigações bilionárias do Banco Master criam fila de acessos no Supremo Tribunal Federal

Operação Compliance Zero da PF expõe fraudes bilionárias no Banco Master e desafia gabinete de Dias Toffoli no STF, com filas de acesso ao processo.

A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, revelou um complexo esquema multibilionário de fraudes financeiras no Banco Master, que mobilizou amplamente o meio jurídico e o Supremo Tribunal Federal (STF). Sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, o inquérito que apura os fatos acumula uma lista extensa de investigados, o que tem provocado uma verdadeira fila para o acesso integral aos autos no gabinete do ministro.

Desdobramentos da Operação Compliance Zero

A segunda fase da operação, realizada em 14 de janeiro, somou mais de quarenta mandados de busca e apreensão distribuídos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Além disso, houve sequestro e bloqueio de bens e valores que somam aproximadamente R$ 5,7 bilhões.

Na etapa inaugural, ocorrida em novembro do ano anterior, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, incluindo o do banqueiro Daniel Vorcaro, posteriormente liberado, além de prisões temporárias e diversas buscas.

Impacto no Supremo Tribunal Federal

O volume significativo de pessoas investigadas contratando advogados para acompanharem o caso tem dificultado a tramitação ágil no STF. Segundo o criminalista André Callegari, representante de familiares de Daniel Vorcaro, os pedidos de acesso aos autos estão aguardando autorização do ministro Dias Toffoli, evidenciando um embaraço operacional no gabinete.

Investigações paralelas envolvendo créditos de carbono

Henrique e Natália Vorcaro, respectivamente pai e irmã do banqueiro, são sócios de uma empresa que investiu em um projeto de créditos de carbono no Amazonas. O projeto, abrangendo cerca de 145 mil hectares, foi questionado pela sobreposição de sua área com terras públicas, gerando contestações do Incra e inviabilizando sua exploração econômica.

Além disso, o negócio envolveu cotas de fundo de investimento administradas pela Reag, gestora que foi liquidada pelo Banco Central em decorrência do avanço das investigações relacionadas ao Banco Master.

Repercussão e perspectivas

O caso Compliance Zero expõe os desafios enfrentados pelo sistema judicial ao lidar com investigações complexas e de grande alcance financeiro, especialmente quando envolvem múltiplos investigados e interesses diversos. A demora no despacho dos pedidos de acesso aos autos pode refletir a necessidade de aprimoramento na gestão de processos no STF, diante da crescente demanda por transparência e defesa no âmbito criminal.

O desdobramento das apurações, aliadas às decisões judiciais que serão tomadas, terão impacto direto sobre o mercado financeiro, ambiental e jurídico, reforçando o papel do Supremo como instância máxima na condução de casos com grande repercussão nacional.

![Banco Master alvo da operação Compliance Zero](https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2025/12/54978413324_34f09e5ba1_o.jpg?quality=70&strip=info&w=1280&h=720&crop=1)
_Foto: Divulgação_