Orbe dourado do Alasca revela mistérios do fundo do mar profundo

Descoberta em 2023, a estrutura intrigante levou cientistas a desvendar hábitos inéditos de anêmonas gigantes

Orbe dourado do Alasca revela mistérios do fundo do mar profundo
Imagem aproximada da "esfera dourada" no laboratório da Instituição Smithsonian. Foto: m aproximada da "esfera dourada" no laboratório da Instituição Smithsonian

O Orbe dourado do Alasca, encontrado a mais de três mil metros de profundidade, é a cutícula residual de uma anêmona gigante que deixa rastros no fundo do mar.

O encontro surpreendente com o Orbe dourado do Alasca

Em agosto de 2023, um robô submarino explorava o Golfo do Alasca quando capturou imagens inéditas de uma cúpula dourada a mais de três mil metros de profundidade. Este objeto, imediatamente apelidado de Orbe dourado do Alasca, chamou atenção das equipes científicas pelo seu formato peculiar e pela localização remota. A agência americana NOAA, responsável pela expedição a bordo do navio Okeanos Explorer, coletou o espécime para análises detalhadas. A descoberta lançou um desafio para os biólogos marinhos, especialmente para a equipe do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, que se dedicou a desvendar sua origem e natureza.

A investigação morfológica e genética no Smithsonian

A análise inicial do Orbe dourado do Alasca revelou uma estrutura sem órgãos típicos de seres vivos, composta por fibras envoltas em camadas lisas. Sob o microscópio, pesquisadores identificaram células urticantes chamadas espirocistos, características exclusivas dos cnidários da classe Hexacorallia, incluindo corais e anêmonas. A associação com a espécie Relicanthus daphneae, uma anêmona gigante encontrada nas profundezas oceânicas, tornou-se a hipótese principal. Confirmando essa suspeita, técnicas avançadas de sequenciamento genético permitiram sequenciar o genoma mitocondrial do objeto, mostrando 99,9% de identidade com o genoma de referência dessa anêmona. Este processo detalhado ilustra a importância da combinação entre morfologia e genética para a identificação precisa de organismos marinhos pouco conhecidos.

O significado biológico do Orbe dourado do Alasca para ecossistemas abissais

A conclusão da equipe foi que o Orbe dourado do Alasca corresponde à cutícula residual que a anêmona Relicanthus daphneae deixa fixada em substratos rochosos ao se locomover. Este comportamento inédito demonstra que essas anêmonas utilizam estratégias para migrar em busca de melhores condições alimentares ou para fugir de predadores, deixando para trás uma