Orelhões terão fim no Brasil até dezembro de 2028, informa Anatel

A extinção gradual dos telefones públicos marca uma transição para a universalização da banda larga móvel

Orelhões terão fim no Brasil até dezembro de 2028, informa Anatel
Oi é a concessionária com maior número de orelhões no país. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Anatel anuncia que orelhões serão extintos no Brasil até o fim de 2028, com manutenção apenas em áreas sem sinal 4G.

Os orelhões, os tradicionais telefones públicos que marcaram a comunicação no Brasil desde 1972, terão seu fim até o último dia de dezembro de 2028, conforme anunciado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Essa decisão representa uma mudança significativa no cenário das telecomunicações, alinhada ao avanço das redes móveis e ao foco na universalização do acesso à banda larga.

Histórico e evolução dos orelhões

Lançados em 1972 e com design da arquiteta chinesa radicada no Brasil Chu Ming Silveira, os orelhões chegaram a ultrapassar 1,5 milhão de unidades distribuídas em todo o país. Eles eram mantidos por concessionárias de telefonia fixa como contrapartida obrigatória dos serviços de telecomunicação.

Com o fim dos contratos de concessão firmados em 1998, que incluíam a manutenção desses telefones, a Anatel promoveu adaptação para autorizações de serviço, permitindo a extinção gradual dos orelhões em consonância com o plano de universalização da telefonia.

Mudança regulatória e busca por investimentos

A aproximação do término dos contratos levou a uma discussão ampla sobre o modelo de concessão vigente, com o intuito de estimular os investimentos em redes que suportam banda larga. As concessionárias buscam acordos para adaptar suas concessões para um regime privado de autorização, o que traz maior flexibilidade para inovação e expansão tecnológica.

A crise financeira da Oi, uma das maiores operadoras e responsável pela maior parte dos orelhões no país, adiciona complexidade ao processo. A empresa está em processo de falência desde 2016, mas mantém 6.707 unidades em operação.

Cobertura e manutenção dos telefones públicos

Atualmente, cerca de 30 mil orelhões ainda funcionam, sendo que aproximadamente 9 mil permanecerão ativos apenas em localidades sem sinal 4G, garantindo que a comunicação básica continue acessível onde a rede móvel ainda não alcançou.

A Anatel esclareceu que as empresas assumiram o compromisso de manter serviços de voz, incluindo os orelhões, até 31 de dezembro de 2028, utilizando quaisquer tecnologias disponíveis. Isso assegura um período de transição até que a conectividade móvel seja plenamente estabelecida.

Investimentos em infraestrutura de telecomunicações

Além da manutenção do serviço de voz, as concessionárias se comprometeram a realizar investimentos significativos em infraestrutura nacional. Entre as ações previstas estão a implantação de fibra óptica em regiões carentes, instalação de antenas 4G em localidades sem cobertura, expansão da rede móvel em municípios, construção de cabos submarinos e fluviais, além da conectividade em escolas públicas e desenvolvimento de data centers.

Impactos para as operadoras

As operadoras Vivo, Algar e Claro/Telefônica planejam desligar suas redes de orelhões ainda em 2026, reduzindo a quantidade desses equipamentos para cerca de 2 mil. A Sercomtel opera cerca de 500 aparelhos nos municípios paranaenses de Londrina e Tamarana, que só poderão ser removidos após a conclusão das adaptações necessárias.

Existem também orelhões cuja manutenção não é obrigatória pelas operadoras, podendo ser desligados mediante solicitação direta, com suporte da Anatel para intervenções que se fizerem necessárias.

A extinção dos orelhões no Brasil sinaliza o avanço tecnológico e a reestruturação regulatória do setor de telecomunicações, priorizando a modernização das redes e o acesso à internet de alta velocidade para toda a população.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil