Orquestra Rabecônica leva fandango caiçara ao Terminal de Paranaguá

Apresentação gratuita nesta quinta-feira marca estreia em espaço público da instituição que há 15 anos preserva a tradição musical do litoral paranaense

Orquestra Rabecônica leva fandango caiçara ao Terminal de Paranaguá
Orquestra Rabecônica se apresenta no Terminal Urbano de Paranaguá. Foto: Rafael Damasceno — Além desta apresentação, a Associação Mandicuera vai abrir oficinas gratuitas de fandango. Foto: Rafael Damasceno

A Orquestra Rabecônica do Brasil faz apresentação gratuita nesta quinta-feira no Terminal Urbano de Paranaguá, levando a música tradicional caiçara para o público.

A Orquestra Rabecônica do Brasil apresenta-se nesta quinta-feira, 18 de junho, ao meio-dia, no Terminal Urbano de Paranaguá em um espetáculo aberto ao público que marca a primeira exibição em espaço urbano da instituição dedicada ao fandango caiçara.

Uma instituição musical com raízes profundas

Fundada há 15 anos pelo mestre fandangueiro Aorélio Domingues em colaboração com a violinista Carla Zago, a Orquestra Rabecônica representa um projeto singular no cenário nacional. Trata-se da primeira instituição do país formada exclusivamente por tocadores de rabeca e variações deste instrumento tradicional.

O projeto nasceu com objetivo de preservar e vivificar uma expressão cultural ancestral do litoral paranaense. Os instrumentos que compõem a sonoridade da orquestra foram confeccionados pelo próprio mestre Aorélio em parceria com integrantes da Associação de Cultura Popular Mandicuera, responsável pela organização do evento.

A família rabecônica e seus instrumentos

O grupo funciona como uma estrutura orquestral orgânica, onde cada instrumento ocupa um papel definido na condução melódica e harmônica. A rabeca, considerada a “mãe” do conjunto, lidera a melodia principal enquanto mantém a identidade sonora do fandango.

A rabiola complementa esta linha melódica com timbre agudo, funcionando como soprano do grupo. O rabelo ocupa a região média da sonoridade, similarmente ao papel do violoncelo em uma orquestra convencional. Para os graves, o rabecão e a rabecona fornecem a base, equivalentes ao contrabaixo.

Para esta apresentação específica no terminal, integram o repertório musicistas vindos da Ilha dos Valadares, além de artistas convidados de Superagui, Guaraqueçaba e Curitiba. No total, aproximadamente 20 músicos estarão em cena.

Estratégia de democratização cultural

A coordenadora da Associação Mandicuera justifica a escolha do Terminal Urbano como ponto de disseminação cultural. “Queremos levar o fandango para o maior número de pessoas possíveis, e nada melhor do que se apresentar em um lugar onde passam centenas de passageiros todos os dias”, afirmou em declaração sobre a iniciativa.

Esta abordagem representa uma estratégia deliberada de popularização. Em vez de confinar a apresentação a espaços convencionais de cultura, a orquestra ocupa um local de circulação cotidiana, ampliando potencialmente o alcance junto ao público não-especializado.

Apoio institucional e continuidade do projeto

A realização do espetáculo conta com financiamento do Ministério da Cultura e governo federal, além de apoio logístico da Prefeitura de Paranaguá. Este suporte institucional viabiliza não apenas a apresentação, mas também expansão das atividades educativas.

A partir de 2 de julho, a Associação Mandicuera abrirá série de oficinas gratuitas que funcionarão ininterruptamente até 26 de novembro. As aulas ocorrem semanalmente nas quintas-feiras, na Casa Elfrida Lobo, no Centro Histórico de Paranaguá.

Confira a programação de oficinas

Período: 2 de julho a 26 de novembro
Frequência: todas as quintas-feiras
Local: Casa Elfrida Lobo, Centro Histórico de Paranaguá
Conteúdo: batido de tamanco, viola e rabeca
Valor: gratuito
Inscrições: abertas via formulário online

O programa de oficinas representa extensão natural da filosofia democratizadora que orienta o trabalho da orquestra. Ao ensinar os fundamentos da prática musical tradicional, busca-se formar novos praticantes que mantenham viva esta linguagem artística nas gerações futuras.

A iniciativa coloca em evidência a importância de políticas culturais que valorizem expressões regionais, especialmente aquelas originadas em comunidades litorâneas historicamente marginalizadas nos debates sobre patrimônio imaterial brasileiro.