Paraguai indeniza mais de 1 milhão de clientes do Ueno Bank em crise

Novo presidente Pedro Alliana se reúne com ministério e banco central para discutir compensações. Ex-presidente Santiago Peña renunciou e foi preso em menos de 48 horas.

Paraguai indeniza mais de 1 milhão de clientes do Ueno Bank em crise
Novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, afirmou que 32 mil aposentados receberão benefícios por outros bancos no dia 17. Foto: Reprodução

O presidente paraguaio Pedro Alliana informou que mais de 1 milhão de correntistas já receberam compensação estatal após dissolução do Ueno Bank.

O presidente do Paraguai Pedro Alliana se reuniu neste sábado (7) com ministros e autoridades financeiras para discutir a crise provocada pela dissolução do Ueno Bank. Segundo Alliana, mais de um milhão de correntistas da instituição já receberam uma compensação estatal.

O Ueno Bank, maior banco digital do país e propriedade do Grupo Vázquez, contava com aproximadamente 3 milhões de clientes — metade da população do Paraguai — e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos. A instituição fechou as portas na terça-feira (3) após o Banco Central do Paraguai iniciar um processo de liquidação ao constatar um déficit nos índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

Alliana informou que 32 mil aposentados que recebiam seus benefícios através do banco serão pagos por outras instituições financeiras no dia 17 deste mês.

Em seu primeiro pronunciamento após prestar juramento perante o Congresso em Assunção, o novo presidente ordenou que seu governo realizasse “ações imediatas” para atender as pessoas afetadas. “O Paraguai que recebemos hoje apresenta urgências que nos obrigam a estar nas ruas, nos hospitais e no campo. O que venho prometer é concreto”, declarou Alliana, cujo mandato se estende até 2028.

“Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil, em decorrência do colapso financeiro, serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos. Determino que sejam tomadas ações imediatas para ressarcir os poupadores, dando prioridade aos menos favorecidos; não quero ninguém hesitante à frente desta missão, quero resultados”, emendou.

A crise desencadeada pela dissolução do banco provocou instabilidade política no país. O ex-presidente Santiago Peña, economista que havia assumido o governo em agosto de 2023, renunciou, sofreu impeachment e foi preso em menos de 48 horas. Peña havia sido acionista do Grupo Vázquez até março de 2025.