Pecuarista aponta alta de preços em reposição de gado como novo desafio

Com oferta restrita e boi gordo em alta, produtor enfrenta ágios de até 80% em bezerros e compressão de margens

Pecuarista aponta alta de preços em reposição de gado como novo desafio
Boi gordo em pasto: mercado aquecido pelas exportações pressiona custos de reposição

Pecuarista e analista de mercado aponta que, com oferta restrita e preços em alta, o desafio agora está em comprar animais de reposição sem comprometer rentabilidade

Com a oferta restrita de boi gordo e preços em alta, pecuarista enfrenta novo desafio: a reposição de animais. Enquanto vender deixou de ser a principal preocupação graças à demanda aquecida pelas exportações, comprar animais para repor o rebanho pressiona cada vez mais os custos de produção.

Segundo Lorenzo Junqueira, pecuarista e analista do mercado pecuário fundador do Balcão do Boi, o mercado do boi gordo vive momento favorável. A oferta de animais terminados está restrita, as escalas de abate seguem relativamente curtas e os preços apresentam valorizações praticamente semanais.

No entanto, quem vende precisa comprar novamente para manter a atividade. Os preços dos animais de reposição avançaram significativamente, com ágios elevados em praticamente todas as categorias. Bezerros, garrotes, bois magros e novilhas estão cada vez mais disputados, pressionando os custos de aquisição e reduzindo as margens esperadas.

Conforme o analista, em algumas negociações o ágio do bezerro em relação ao boi gordo já se aproxima de 80%, enquanto o boi magro apresenta diferenças superiores a 20%. Não adianta vender a arroba por preço historicamente elevado se o produtor precisa comprometer uma parcela cada vez maior da receita para recompor seu estoque.

Outro ponto que merece atenção está no mercado futuro do boi gordo na B3. Apesar das valorizações recentes, os contratos a partir de novembro apresentam perspectiva de relativa estabilidade, sem indicar altas expressivas nos vencimentos seguintes. Isso significa que o pecuarista não pode simplesmente projetar para os próximos meses o mesmo ritmo de valorização observado nos últimos meses.

Quando a reposição sobe mais rapidamente do que a expectativa de valorização do boi gordo, ocorre uma compressão das margens. O produtor paga mais caro pelo animal, assume os custos de produção e pode encontrar, na saída, uma arroba que não acompanhou a mesma intensidade de valorização.

Segundo Junqueira, a resposta não está necessariamente em uma categoria específica, mas na relação entre preço de aquisição, custo de produção, desempenho zootécnico e valor esperado de venda. Em um mercado de reposição valorizada, o produtor precisa avaliar criteriosamente cada operação, abandonando a ideia de que manter os pastos e confinamentos sempre cheios é sinônimo de lucratividade.