El Niño intenso distribui chuva de forma diferente pelo Brasil

Diferentemente de 2023 e 2024, fenômeno favorece precipitações no Centro-Oeste e Sudeste. Anomalia de temperatura chega a 2,5°C acima da média.

El Niño intenso distribui chuva de forma diferente pelo Brasil
Chuva alcança áreas do Matopiba durante atuação do El Niño intenso

El Niño em categoria super distribui chuvas de forma diferente pelo Brasil, alcançando Centro-Oeste e Sudeste. Padrão contrasta com 2023 e 2024.

O El Niño, que apresenta intensidade muito forte, está influenciando o comportamento do clima na América do Sul com distribuição de chuvas diferente da observada em 2023 e 2024. De acordo com Alexandre Nascimento, meteorologista da Nottus, a anomalia de temperatura na região do Niño 3.4 já está em torno de 2,5°C acima da média, caracterizando um super El Niño.

Em vez de concentrar as precipitações no Sul e favorecer períodos prolongados de seca em outras regiões, o cenário atual mostra avanço das instabilidades também pelo Centro-Oeste e Sudeste. A chuva chega gradualmente a áreas do Matopiba, contrariando as projeções iniciais para o fenômeno. O pico do aquecimento está previsto entre a segunda quinzena de novembro e a primeira metade de janeiro.

A distribuição diferente das chuvas passa não apenas pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, mas também pelas condições do Atlântico. Segundo Nascimento, as águas do Atlântico estão mais quentes desde a costa do Sudeste até o Norte do Brasil, enquanto a região próxima à costa Sul apresenta temperaturas abaixo da média.

“Essa combinação de fatores ajuda a entender por que o Brasil não está enfrentando uma distribuição tão concentrada das chuvas como ocorreu durante o El Niño de 2023/24.”

Essa configuração favorece o deslocamento dos sistemas frontais. As frentes frias que chegam ao Sul conseguem avançar pelo litoral em direção às águas mais quentes próximas à Bahia, aumentando a frequência das mudanças no tempo e permitindo que a chuva alcance outras regiões.

Naquele período de 2023/24, o Rio Grande do Sul registrou volumes extremos de precipitação, enquanto áreas de outras regiões enfrentavam seca severa e ondas de calor. Agora, o cenário é diferente. Em outubro de 2026, o Rio Grande do Sul terminou o mês com chuva abaixo da média em grande parte do estado, enquanto outras áreas do país receberam volumes expressivos de precipitação durante o mesmo período.