Petróleo caro e data centers custam eleição a Trump nos EUA

Democratas retomam Câmara e Senado americanos após guerra no Oriente Médio disparar preço do barril a US$ 118

Petróleo caro e data centers custam eleição a Trump nos EUA
Donald Trump ao lado de data center e ponto de extração de petróleo. Foto: Imagem gerada por IA — Foto: Imagem gerada por IA de Donald Trump junto a data center e ponto de extração de petróleo

Analistas apontam que o modelo econômico apostado por Trump — baseado em petróleo caro e data centers — fracassou nas eleições de 3 de novembro.

Democratas retomaram a Câmara e o Senado americanos na terça-feira, 3 de novembro, marcando resultado que vai além da derrota eleitoral de Donald Trump.

O eleitor não votou contra uma pessoa, mas contra três fatores específicos: conta de luz alta, preço da gasolina elevado e a presença de galpões cheios de computadores nos bairros. Essa leitura revela o fracasso do modelo econômico que Trump apostou para os próximos anos.

A NBC projeta cerca de 258 cadeiras democratas na Câmara dos Representantes, maior bancada do partido desde 1993. No Senado, os democratas viraram pelo menos sete cadeiras e devem consolidar maioria de 54 a 44. Trump chegou às urnas com aprovação em torno de 35%, a mínima histórica de seu mandato.

O petróleo ganhou a guerra e perdeu a eleição. A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, travou boa parte do fluxo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O Brent passou de US$ 100 em março e bateu perto de US$ 118 às vésperas das eleições.

Os ganhos das petroleiras foram extraordinários. A Chevron acumulou US$ 24,2 bilhões de lucro em nove meses de 2026, contra US$ 9,5 bilhões no mesmo período de 2025. A receita trimestral subiu 36%, para US$ 67,8 bilhões. A margem da Valero no refino chegou a US$ 39 por barril, quase o triplo de um ano antes.

O setor de energia registrou alta de cerca de 30% no ETF XLE já em maio e junho, contra aproximadamente 8% do S&P 500. A Exxon renovou máximas históricas perto de US$ 157 por ação ainda em março. Analistas projetavam alta de 57% nos lucros do setor de energia do S&P em 2026.

O problema reside em uma questão simples: cada dólar de lucro das petroleiras saiu, em parte, do tanque do eleitor. Trump afirmou em setembro que o preço do petróleo só cairia depois da eleição. Estava certo sobre a ordem dos fatos, mas errou o impacto: o eleitor não esperou. O custo da gasolina cara nas bombas determinou o voto, não a promessa futura de queda.

O petróleo caro não representa apenas lucro de curto prazo para o setor. Ele muda a viabilidade econômica de quais projetos saem do papel, alterando todo o cenário de investimentos em exploração. Esse era o ponto central da estratégia de “drill, baby, drill” — perfuração agressiva de poços — que Trump defendia. O xisto americano, por exemplo, precisa de petróleo em patamares elevados para ser economicamente viável.