PL desiste de disputar presidência da Câmara e apoiará reeleição de Hugo Motta

Partido reconhece falta de força política para ocupar simultaneamente as duas casas legislativas e muda estratégia para o Senado Federal.

PL desiste de disputar presidência da Câmara e apoiará reeleição de Hugo Motta
Deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados — Foto: Deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O PL deve formalizar o apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos) na presidência da Câmara dos Deputados em reunião com a bancada eleita.

O PL deve abrir mão de disputar a presidência da Câmara dos Deputados, cargo atualmente ocupado por Hugo Motta (Republicanos). A tendência, segundo apuração, é que o partido formalize o apoio à reeleição de Motta em reunião marcada com a bancada eleita.

O plano original do PL previa eleger o presidente da Casa. Dois nomes estavam em pauta: Altineu Cortes e Sóstenes Cavalcante. Essa estratégia foi traçada em contexto diferente, quando Flávio Bolsonaro aparecia nas pesquisas como favorito, representando outra correlação de forças para o partido.

O PL reconhece que não possui força política para ocupar a presidência das duas casas legislativas simultaneamente. Diante dessa constatação, a prioridade do partido passou a ser o Senado Federal, onde Rogério Marinho vislumbra a possibilidade de construir um arco de alianças com integrantes do Centrão.

Três deputados federais confirmaram, em conversas reservadas, que a tendência é que o partido formalize o apoio a Motta e desista da disputa pela presidência da Câmara.

O temor do PL é reforçado por episódio anterior que deixou marcas profundas na agremiação. Quando Rogério Marinho decidiu disputar a presidência do Senado Federal contra Rodrigo Pacheco, o PL perdeu e ficou fora da mesa diretora, além de praticamente exilado das principais comissões do Senado por cerca de dois anos. O partido retomou protagonismo apenas após apoiar Davi Alcolumbre em momento posterior.

O cenário atual na Câmara é igualmente desfavorável para o PL. O Centrão se antecipou e construiu grande coalizão em torno de Motta, reunindo a maioria dos partidos. Mesmo contando com aproximadamente 120 deputados, o PL corre o risco de ficar isolado caso insista em lançar candidatura própria. “O temor do PL agora é que lançar uma candidatura serviria apenas para marcar posição.”

As consequências práticas do isolamento também pesam na decisão. Sem apoiar Motta, o PL ficaria no fim da fila para presidir comissões importantes, entre elas a Comissão de Constituição e Justiça, que Nikolas Ferreira gostaria de presidir. Apesar de a bancada ter tamanho suficiente para pleitear o cargo pela proporcionalidade, o apoio ao presidente da Casa é condição determinante para garantir esses espaços.

Não há resistências significativas dentro da bancada em relação à proposta de desistência. Os dois pré-candidatos já aceitaram a mudança de estratégia, conforme fontes da legenda.