Estudo aponta desigualdades no acompanhamento de gestantes, com impacto maior em populações vulneráveis

Uma em cada cinco gestantes no Brasil não completa o mínimo recomendado de sete consultas de pré-natal, com maiores desigualdades entre grupos vulneráveis.
Panorama do pré-natal no Brasil em 2024
O pré-natal no Brasil, embora quase universalizado na primeira consulta, ainda apresenta falhas graves na continuidade do cuidado. Em 2024, uma em cada cinco gestantes não atingiu o mínimo de sete consultas recomendadas pelo Ministério da Saúde para assegurar o acompanhamento seguro da gestação. A pesquisadora Luiza Eunice Sá da Silva, do ICEH/UFPel, destaca que esse cenário evidencia que o sistema de saúde brasileiro capta as gestantes no início, mas não garante a permanência do cuidado, principalmente para grupos vulneráveis.
Desigualdades socioeconômicas e raciais no acompanhamento pré-natal
A pesquisa demonstra que a escolaridade é um fator determinante para a conclusão das consultas de pré-natal. Enquanto 86,5% das mulheres com 12 anos ou mais de estudo completam o ciclo de sete consultas, apenas 44,2% das mulheres sem escolaridade atingem esse patamar. Quando analisado pelo recorte racial, indígenas apresentam a menor cobertura, com apenas 51,5% completando as consultas recomendadas, contrastando com 84,3% das mulheres brancas. O abandono do acompanhamento é especialmente crítico entre indígenas, cuja cobertura cai 46,2 pontos percentuais entre a primeira e a sétima consulta, o que revela um abandono quase triplo em relação às mulheres brancas.
Impacto da idade e localização geográfica no acesso ao pré-natal
Além das desigualdades educacionais e raciais, a idade materna e a região do país também influenciam no acesso ao pré-natal mínimo. Adolescentes menores de 20 anos completam apenas 67,7% das consultas recomendadas, enquanto mulheres com mais de 35 anos alcançam 82,6%. Territorialmente, a Região Norte apresenta o pior cenário, com apenas 63,3% das gestantes concluindo as sete consultas, seguida pelo Nordeste e Centro-Oeste, enquanto o Sul e Sudeste apresentam melhores índices. Essas discrepâncias geográficas refletem tanto a infraestrutura quanto barreiras socioculturais ao acesso à saúde.
Consequências da interrupção do pré-natal para mães e bebês
O acompanhamento incompleto do pré-natal aumenta significativamente os riscos de complicações como parto prematuro, baixo peso ao nascer e ocorrência de doenças gestacionais não tratadas, como hipertensão e diabetes. O epidemiologista Cesar Victora alerta que sete consultas representam o mínimo necessário para monitorar o ritmo acelerado da vida intrauterina e prevenir complicações graves. A ausência desse cuidado favorece a manutenção de altas taxas de mortalidade materna e infantil, especialmente entre os grupos socialmente vulneráveis e em áreas com menor infraestrutura médica.
Estratégias para reduzir desigualdades e fortalecer o cuidado pré-natal
Frente aos desafios apontados, os pesquisadores recomendam que a equidade seja o foco central das políticas públicas de saúde. Isso inclui a intensificação da busca ativa por gestantes com baixa escolaridade na atenção primária e a adoção de estratégias culturalmente adequadas para populações indígenas, como equipes multidisciplinares e logística adaptada a territórios de difícil acesso. Além disso, é fundamental implementar um acolhimento diferenciado para adolescentes, para superar barreiras sociais e garantir a continuidade do pré-natal. O reforço na infraestrutura das redes de cuidado, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, é essencial para que avanços em saúde beneficiem todas as brasileiras de forma equânime.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
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