Embarques estão 3 milhões de toneladas abaixo do ano passado. Projeção de exportação foi reduzida de 42-43 milhões para 38 milhões de toneladas.

Expansão do consumo interno, especialmente em etanol, reduz pressão sobre oferta, mas ritmo lento de embarques acende alerta para preços no final de 2026.
O mercado brasileiro de milho encontra suporte na expansão da demanda doméstica, especialmente com a maior produção de etanol, mas o ritmo mais lento das exportações acende alerta para os preços na reta final de 2026.
Segundo Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de Inteligência de Mercado na Hedgepoint, a expansão do consumo interno reduz parte da dependência brasileira dos embarques para equilibrar a oferta. As exportações estão cerca de 3 milhões de toneladas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
As projeções de embarques, que inicialmente apontavam para 42 a 43 milhões de toneladas, já foram reduzidas para cerca de 38 milhões de toneladas. Entre os fatores que explicam esse cenário está a maior competitividade do milho argentino, que disputa mercados com o produto brasileiro, e a redução das compras do Irã.
“Caso o ritmo mais fraco dos embarques permaneça, existe a possibilidade de estoques mais elevados no Brasil e maior pressão sobre as cotações nos próximos meses”, alertou Gutierrez.
No mercado internacional, os estoques trimestrais dos Estados Unidos acima das expectativas pressionaram Chicago nesta semana. Apesar da reação negativa, o analista avalia que a forte demanda pelo milho norte-americano e a possibilidade de novos cortes nas estimativas para a produção dos EUA ainda podem oferecer sustentação às cotações.
Para o produtor brasileiro, o momento exige atenção na comercialização. As vendas da safrinha 2025/26 estão cerca de 10 pontos percentuais atrasadas em relação à média, enquanto as negociações da próxima temporada seguem mais retraídas. A queda recente dos preços e as atenções voltadas ao plantio da soja influenciam a definição da janela para o milho segunda safra.
A comercialização da safrinha 2026/27 está atrasada, com produtores fora do mercado neste momento de plantio da soja, o que reforça a pressão sobre as negociações dos próximos meses.





