Preço do arroz atinge estabilidade após período de quedas

Análise indica que o valor do arroz parou de cair e pode ter alcançado o menor patamar, com tendência de recuperação gradual

Preço do arroz atinge estabilidade após período de quedas
Saco de arroz empilhado em armazém de produtores no Rio Grande do Sul. Foto: Folhapress

O preço do arroz parou de cair e pode ter atingido seu mínimo no Rio Grande do Sul, com sinais de recuperação gradual para os produtores.

Preço do arroz para de cair e estabiliza no Rio Grande do Sul

O preço do arroz registra estabilidade e pode ter atingido seu ponto mínimo, conforme acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal, a demanda pontual para recomposição de estoques ajusta a oferta, sustentando os valores pagos aos agricultores. Essa situação marca o fim de um período de queda expressiva no preço do arroz, com uma recuperação lenta prevista para os próximos meses. Vlamir Brandalizze, analista de arroz, destaca que embora o fundo do poço tenha sido aparentemente alcançado, a evolução dos preços será gradual.

Cenário de preços e impactos para os produtores e consumidores

Em 2025, o preço médio do arroz ao produtor caiu para cerca de R$ 72 por saca, o que representou uma queda de 36% em relação a 2024. Essa redução refletiu positivamente no bolso dos consumidores, que passaram a pagar aproximadamente 25% menos pelo arroz, de acordo com dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No entanto, a elevação dos preços entre 2017 e 2024 foi expressiva, com alta de 65% na porteira e 67% nas gôndolas. Esse movimento esteve relacionado a fatores como a redução da área plantada devido à preferência por culturas mais rentáveis, como soja, e à valorização do produto no mercado internacional.

Produção recorde e ajuste na oferta na safra 2024/25

A safra 2024/25 registrou uma produção recorde de 12,8 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento da área plantada e do investimento dos produtores em resposta aos preços elevados do ano anterior. No Rio Grande do Sul, a área semeada estimada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) é de 920,1 mil hectares, com produtividade prevista pela Emater/RS em 8.752 kg por hectare, o que pode resultar em cerca de 8 milhões de toneladas produzidas no estado. Apesar da maior produção, a oferta ampliada e a diminuição da demanda externa pressionaram os preços para baixo tanto para os agricultores quanto para os consumidores.

Fatores externos e a dinâmica internacional do mercado de arroz

Segundo o Sistema de Informação do Mercado Agrícola (Amis), vinculado à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a produção mundial de arroz em 2026 deve atingir 559 milhões de toneladas, com um consumo estimado em 553 milhões. Esse equilíbrio global contribui para a estabilidade dos preços no mercado interno brasileiro. Além disso, as condições climáticas favoráveis na safra atual do Rio Grande do Sul reforçam a expectativa de boa produção e reforçam a adequação da oferta às demandas internas e externas.

Análise econômica do Valor Bruto de Produção (VBP) e tendências futuras

O Valor Bruto da Produção de arroz apresentou variações significativas nos últimos anos, alcançando R$ 24,8 bilhões em 2024, impulsionado pelos preços elevados, e caindo para R$ 14,4 bilhões em 2025 devido à redução de preços. Esse indicador reflete a relação entre volume produzido e preço médio do produto. O cenário atual aponta para uma tendência de preços mais firmes, mas com recuperação lenta, o que exige atenção dos produtores quanto à gestão de estoques e estratégias de plantio para o ciclo seguinte.

A estabilização do preço do arroz representa um momento crucial para o setor, pois possibilita maior previsibilidade para os produtores e pode contribuir para o equilíbrio do mercado interno, beneficiando também o consumidor final. Acompanhamentos contínuos dos parâmetros climáticos, da demanda e dos estoques serão determinantes para os movimentos futuros dos preços no Brasil e no mercado global.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress