Preços do açúcar caem forte com avanço da oferta global e queda do petróleo

Queda nos preços do petróleo e maior produção mundial pressionam o mercado do açúcar em junho de 2026

Preços do açúcar caem forte com avanço da oferta global e queda do petróleo
Produção de cana-de-açúcar em centro-sul brasileiro em alta amplia oferta do produto

Preços do açúcar recuam em bolsas internacionais devido à queda do petróleo e aumento da oferta global, afetando o setor sucroenergético.

Confira a programação completa da movimentação do mercado de açúcar em junho de 2026

9 de junho, Bolsa de Nova York: Contrato julho do açúcar bruto fechou a 14,08 cents por libra-peso, recuo de 4 pontos.
9 de junho, Bolsa de Londres: Contrato agosto do açúcar branco encerrou a US$ 445,00 por tonelada, queda de 10 pontos.

Impacto da queda do petróleo sobre os preços do açúcar e a competitividade do etanol

Os preços do açúcar caíram de forma expressiva em 9 de junho de 2026, pressionados pela forte queda no mercado de petróleo. O barril do petróleo recuou mais de 3% atingindo sua mínima em sete semanas, o que diminuiu a competitividade do etanol frente ao açúcar. Com combustíveis fósseis mais baratos, as usinas tendem a destinar uma parcela maior da cana para produção de açúcar ao invés de etanol, o que amplia a oferta do produto no mercado global. Essa dinâmica evidencia como a interdependência entre energia e commodities agrícolas influencia diretamente as cotações do setor sucroenergético.

Oferta global em ascensão com destaque para Brasil e Tailândia

A oferta global de açúcar está em alta, pressionando os preços nas bolsas. No Brasil, conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção no Centro-Sul atingiu 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, um aumento de 55,3% comparado ao mesmo período do ano anterior. Essa expansão foi impulsionada pela melhoria na qualidade da matéria-prima, com aumento do teor de sacarose. Paralelamente, a Tailândia elevou suas exportações em 29% nos primeiros quatro meses do ano, contribuindo para a maior disponibilidade mundial do açúcar.

Mercado físico brasileiro mostra baixa movimentação e estabilidade nos preços

No mercado físico nacional, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta baixa movimentação nas negociações de açúcar cristal no início de junho, reflexo da oferta abundante. O Indicador Cepea/Esalq registrou preço de R$ 93,24 por saca na última sexta-feira (5), praticamente estável em relação à semana anterior. Essa estabilidade no preço, mesmo com o cenário de maior oferta, indica uma pressão baixista que limita a valorização do açúcar no mercado interno.

Perspectivas climáticas e riscos associados ao fenômeno El Niño para a produção mundial

Apesar da tendência de queda, o mercado permanece atento às condições climáticas, especialmente à possibilidade do desenvolvimento do fenômeno El Niño. Essa condição meteorológica pode afetar negativamente a produção nos maiores países produtores, como Brasil, Índia e Tailândia. Na Índia, a previsão de chuvas para a monção entre junho e setembro foi reduzida recentemente, aumentando as incertezas quanto à produtividade agrícola. Esses fatores climáticos criam um cenário complexo, onde a oferta futura pode sofrer alterações significativas, influenciando a volatilidade dos preços do açúcar.

Análise do cenário econômico e seus impactos no setor sucroenergético

O cenário atual de preços do açúcar e petróleo reflete as complexas relações entre setores energéticos e agrícolas. Com a pressão de preços baixos, usinas e produtores enfrentam desafios para manter margens de lucro, especialmente em um contexto de custos elevados. A dinâmica entre o reajuste da produção entre açúcar e etanol dependerá das condições de mercado e políticas públicas vigentes. Além disso, a atenção às previsões climáticas será fundamental para ajustar estratégias e minimizar riscos na safra de 2026/27.

Acompanhamento constante das bolsas internacionais, dados oficiais de produção e indicadores meteorológicos são essenciais para tomada de decisões assertivas no setor sucroenergético nos próximos meses.

Fonte: www.noticiasagricolas.com.br