Chuvas e maior direcionamento de cana para etanol impactam safra 2026/27 em maio

Moagem recua 12,9% na segunda quinzena de maio. Produção de açúcar despenca 24,8%, superando as quedas estimadas pelo mercado.
Produção de Açúcar Despenca 24,8% no Centro-Sul Enquanto Etanol Ganha Espaço
A segunda quinzena de maio marcou um período desafiador para a indústria sucroenergética do Centro-Sul, com a produção de açúcar Centro-Sul sofrendo uma contração severa de 24,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados do Ministério da Agricultura divulgados em 17 de junho de 2026.
Moagem Recua Significativamente em Maio
O processamento de cana-de-açúcar atingiu 41,23 milhões de toneladas na segunda metade do mês, representando uma queda de 12,9% comparada ao período equivalente de 2025. O volume processado ficou aquém das expectativas do setor, sinalizando desafios operacionais que se estenderam por toda a região produtora.
Esta retração na moagem refletiu diretamente na capacidade produtiva das usinas. As fábricas enfrentaram restrições não apenas na quantidade de matéria-prima disponível, mas também em sua qualidade e oportunidade de processamento.
Produção de Açúcar Surpreende ao Baixo
A fabricação de açúcar alcançou apenas 2,19 milhões de toneladas, superando negativamente as projeções de analistas. Levantamento realizado junto a 11 especialistas de mercado estimava um volume próximo de 2,4 milhões de toneladas, o que representaria uma queda de cerca de 19%.
A contração de 24,8% observada foi significativamente mais profunda do que o esperado, indicando pressões adicionais além daquelas previstas pelos participantes do setor. Este desempenho inesperado reforçou a complexidade dos fatores operacionais enfrentados pelas unidades produtoras.
Chuvas Prejudicam Operações nas Principais Regiões
Precipitações acima da média registradas em São Paulo e Mato Grosso do Sul durante maio criaram obstáculos significativos às operações. As chuvas dificultaram não apenas o avanço da colheita, mas também impactaram a eficiência dos processos industriais nas usinas.
Regiões tradicionais de grande produção enfrentaram limitações logísticas, desde o deslocamento de máquinas até o transporte de cana dentro das fazendas. Estes fatores climáticos adversos contribuíram decisivamente para o cenário de retração observado na quinzena.
Redirecionamento Estratégico: Maior Prioridade ao Etanol
As usinas intensificaram sua estratégia de direcionamento de matéria-prima para a produção de etanol, movimento impulsionado por condições econômicas mais favoráveis ao biocombustível. Esta mudança no mix produtivo alterou fundamentalmente o uso da cana processada no período.
Enquanto o açúcar perdeu participação nas prioridades de produção, o etanol registrou expansão. A produção total atingiu 2,1 bilhões de litros na segunda quinzena de maio, representando crescimento de 1,8% ante o mesmo período anterior.
Dinâmica do Mercado de Etanol
Dentro da produção total de etanol, o segmento hidratado mostrou força particular. O etanol hidratado cresceu 5,7%, alcançando 1,34 bilhão de litros. Em contraste, o etanol anidro recuou 4,4%, chegando a 756,8 milhões de litros.
Esta composição reflete decisões das usinas sobre qual tipo de biocombustível produzir, influenciadas por dinâmicas de demanda e preços no mercado doméstico. Adicionalmente, a expansão da indústria de etanol de milho contribuiu para o crescimento da produção total de biocombustível na região.
Acumulado da Safra Mantém Trajetória Positiva
Despite a desaceleração observada na segunda metade de maio, o acumulado da safra 2026/27 desde o seu início em abril até 31 de maio apresenta resultados mais favoráveis. As unidades do Centro-Sul processaram 146,1 milhões de toneladas de cana acumuladamente, avanço de 16,2% em relação ao período correspondente da temporada anterior.
Contudo, a produção acumulada de açúcar soma 6,81 milhões de toneladas, refletindo queda de 3,1% na comparação anual. Este contraste entre o crescimento da moagem total e a retração da produção açucareira evidencia o deslocamento estratégico de recursos produtivos em direção ao etanol.
O cenário atual apresenta um mercado sucroenergético em transição, onde fatores climáticos, decisões comerciais das usinas e dinâmicas econômicas de diferentes cadeias de produção convergem para moldar o desempenho da safra em sua fase inicial.





