Produção e venda de veículos registram queda significativa em janeiro de 2026

Anfavea aponta redução na fabricação e comercialização de carros, com destaque para crescimento dos veículos eletrificados

Produção e venda de veículos registram queda significativa em janeiro de 2026
Linha de montagem da indústria automotiva brasileira em atividade. Foto: Agência Brasil

Em janeiro de 2026, a produção e venda de veículos caíram, mas veículos eletrificados alcançaram participação recorde no mercado nacional.

Produção e venda de veículos apresentam queda em janeiro de 2026

A produção e venda de veículos no Brasil sofreram uma queda significativa em janeiro de 2026, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O mês registrou uma redução de 12% na produção em comparação com janeiro de 2025, totalizando 159,6 mil unidades fabricadas, e uma queda de 13,5% em relação a dezembro do ano passado. No que diz respeito às vendas, houve uma leve retração de 0,4% em relação a janeiro do ano anterior, com 170,5 mil veículos licenciados, e uma queda mais expressiva de 39% em comparação a dezembro de 2025. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, explicou que o volume está praticamente estável na comparação anual devido a um dia útil a menos em 2026.

Destaques e tendências na comercialização de veículos no Brasil

Apesar do cenário geral de queda, alguns segmentos apresentaram crescimento nas vendas. Os automóveis registraram alta de 1,4%, enquanto os veículos comerciais leves cresceram 3% na comparação anual. Por outro lado, veículos pesados, como ônibus e caminhões, tiveram retração relevante, com quedas de 33,9% e 31,5%, respectivamente. Uma tendência positiva foi observada na participação dos veículos eletrificados, que alcançaram 16,8% do total de vendas, um recorde histórico para o setor. Segundo a Anfavea, 35% desses veículos são produzidos localmente, refletindo avanços na industrialização nacional nesse segmento. Igor Calvet ressaltou a relevância desse crescimento para a evolução sustentável da indústria automotiva brasileira.

Exportações de veículos enfrentam desafios em janeiro de 2026

As exportações do setor automotivo também apresentaram queda de 18,3% em relação a janeiro de 2025, com 25,9 mil unidades embarcadas. A retração foi influenciada principalmente pela redução de 5% na demanda da Argentina, principal parceiro comercial automotivo do Brasil. Apesar disso, houve aumento de 38,3% nas exportações em comparação a dezembro de 2025. O presidente da Anfavea alertou para a necessidade de atenção contínua ao mercado argentino, que pode indicar uma desaceleração econômica que afetaria as vendas externas brasileiras.

Políticas públicas e seus impactos na indústria automotiva brasileira

Durante entrevista coletiva, Igor Calvet comemorou a não prorrogação da isenção de impostos para importação de kits de veículos desmontados, encerrada em janeiro de 2026. Essa medida, segundo ele, estimula a produção local, a sofisticação industrial e a geração de empregos no país. O programa Carro Sustentável, que zera o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros de entrada fabricados no Brasil com alta eficiência energética, não deve ser renovado devido à reforma tributária prevista para 2027. Por outro lado, o programa Move Brasil, que oferece crédito para a compra de caminhões, é esperado para apresentar resultados positivos nos próximos meses, contribuindo para a recuperação do segmento de veículos pesados.

Perspectivas para o setor automotivo diante do cenário atual

O setor automotivo brasileiro enfrenta desafios com a queda na produção, vendas e exportações em janeiro de 2026. No entanto, o crescimento dos veículos eletrificados e a adoção de políticas que favorecem a produção local indicam caminhos para superar as dificuldades. A indústria precisa acompanhar as mudanças no mercado internacional, especialmente as demandas da Argentina, e adaptar-se às novas regras tributárias que impactarão os incentivos fiscais. O desempenho dos programas de crédito e a transição para veículos mais sustentáveis serão determinantes para a retomada do crescimento e fortalecimento do setor nos próximos meses.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Agência Brasil