Produtor rural arca com custos elevados de inadimplência e renegociação

Impactos financeiros da inadimplência e renegociações encarecem crédito e pressionam o setor agropecuário brasileiro

Produtor rural arca com custos elevados de inadimplência e renegociação
Produtor rural acompanha lavoura sob impacto financeiro. Foto: Dan Koeck

A inadimplência e as renegociações elevam custos e dificultam o acesso ao crédito para produtores rurais, além de impactar o seguro agrícola.

Impacto dos custos da inadimplência e renegociação no produtor rural

Os custos da inadimplência e renegociação pressionam o produtor rural brasileiro em 2026 de maneira significativa. Durante o evento Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio, em Brasília, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, chamou atenção para o ciclo de endividamento no campo, consequência não apenas da taxa básica de juros, mas também do acúmulo de dívidas antigas e da instabilidade climática. Oliveira destacou que, diante de perdas de safra, os produtores renegociam dívidas que se acumulam ao longo dos anos, elevando o risco percebido pelos bancos e encarecendo o crédito disponível.

Histórico de endividamento e suas consequências para o crédito agrícola

O modelo atual de crédito rural cria um cenário de endividamento recorrente, no qual produtores carregam múltiplas parcelas antigas simultaneamente. Conforme o presidente da CNseg, algumas renegociações chegam a durar décadas, com dívidas sendo estendidas por 30 anos e reestruturadas várias vezes. Essa situação aumenta a percepção de risco das instituições financeiras, tornando o crédito mais caro e menos acessível para todo o setor. A consequência é um ciclo vicioso que dificulta a recuperação financeira do produtor rural e impacta a sustentabilidade do agronegócio.

Seguro rural: orçamento limitado e cobertura em retração

Apesar da movimentação financeira expressiva no crédito rural, o seguro rural segue com orçamento limitado próximo de R$ 1 bilhão, conforme indicado por Dyogo Oliveira. A área segurada diminuiu drasticamente, de 13,7 milhões de hectares em 2021 para cerca de 3,2 milhões em 2025. Essa redução na cobertura deixa o produtor mais vulnerável aos riscos climáticos e econômicos. Em comparação, países como os Estados Unidos asseguram cerca de 90% da área agrícola implantada, demonstrando a fragilidade da política pública brasileira nesse aspecto.

Desafios e propostas para a política agrícola brasileira

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) ressaltou a necessidade de uma mudança estrutural na política agrícola, que ainda se baseia em modelos ultrapassados como o Plano Safra. Ela defende posicionar o seguro rural como pilar central, capaz de destravar o crédito e reduzir os riscos sistêmicos do setor. Para a senadora, resolver a questão do seguro é fundamental para garantir maior liquidez e segurança no financiamento rural, mesmo que o processo leve algum tempo para ser implementado.

Dinâmica do agronegócio e a transição do financiamento tradicional para o mercado privado

O presidente da Abag, Ingo Plöger, destacou que a dinâmica do agronegócio brasileiro está próxima do modelo “just in time”, onde uma safra impulsiona a próxima. Essa característica aumenta a sensibilidade do setor a choques logísticos e climáticos, exigindo constante fluxo de insumos e financiamento. Paralelamente, Tadeu Silva, presidente da Acrefi, observou uma migração do crédito tradicional, especialmente do Plano Safra, para o mercado de capitais, com crescimento nas operações via CPR e Fiagros. Contudo, alertou que o avanço do crédito privado, sem a devida cobertura de seguro, amplia o risco sistêmico do setor rural.

Perspectivas e recomendações para a sustentabilidade do crédito rural

O cenário atual evidencia a necessidade urgente de reformulação das políticas de crédito e seguro rural no Brasil. A ampliação do seguro agrícola não apenas reduz a vulnerabilidade do produtor, mas também potencializa a oferta de crédito mais acessível e de menor custo. Investir em políticas públicas que fortaleçam esses mecanismos é fundamental para evitar que os custos da inadimplência e renegociação continuem a sufocar o setor, comprometendo sua competitividade e sustentabilidade no longo prazo.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Dan Koeck