Mudanças no panorama econômico, incluindo guerra, estímulos fiscais e riscos climáticos, levam a revisões nas expectativas de juros e inflação para o Brasil

A projeção Selic 2026 subiu para até 14,25% devido a fatores globais e nacionais, como conflitos geopolíticos e estímulos fiscais.
Panorama atual da projeção Selic 2026 e fatores influenciadores
A projeção Selic 2026 sofreu alterações significativas, refletindo o impacto de diversos fatores tanto no cenário global quanto doméstico. Em 2026, a taxa básica de juros do Brasil pode terminar o ano em até 14,25%, segundo análises recentes de bancos e gestoras de investimento. Esse ajuste acompanha o desempenho econômico do primeiro trimestre, ações governamentais de estímulo, o fenômeno climático El Niño e o ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas e avanços tecnológicos. José Raymundo Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, destaca a influência do mercado de trabalho e da fuga de capital para os Estados Unidos, que afeta a conjuntura local.
Impactos da guerra no Oriente Médio e da agenda protecionista dos EUA
O conflito no Oriente Médio, com restrições no Estreito de Ormuz, intensifica a pressão sobre os preços globais de energia e dificulta a recuperação das cadeias produtivas. A possibilidade de danos prolongados às infraestruturas petrolíferas eleva o risco inflacionário. Paralelamente, os Estados Unidos retomam sua agenda protecionista, impondo tarifas de importação que pressionam custos globais. Esses fatores aumentam a incerteza e levam bancos centrais a adotar posturas monetárias mais rígidas, influenciando diretamente a política de juros brasileira. A criação de 172 mil empregos em maio nos EUA reforça expectativas de alta de juros no país norte-americano, enquanto o Brasil enfrenta o desafio de manter atratividade para investidores.
Influência dos estímulos fiscais e comportamento da economia brasileira
No Brasil, o crescimento econômico do primeiro trimestre, com avanço de 1,1% na margem, surpreende positivamente, levando instituições como Itaú e BNP Paribas a elevarem suas projeções para o PIB de 2026, para cerca de 2,1% a 2,3%. Esse crescimento é atribuído, em grande parte, aos estímulos fiscais promovidos pelo governo, que mantém o impulso nas contas públicas através de programas como o novo Desenrola e linhas de crédito para renovação de frotas, com um pacote estimado em até R$ 200 bilhões. O Bank of America ressalta que essa sustentação da atividade econômica é pouco convincente estruturalmente e pode dificultar o ajuste necessário para conter a inflação e equilibrar as finanças públicas.
Riscos climáticos e suas repercussões na inflação
O fenômeno El Niño, previsto para 2026, representa um risco severo para a oferta de alimentos, devido à possibilidade de secas no MATOPIBA e chuvas excessivas na região Sul do país. Essa perspectiva levou bancos como BNP Paribas, Itaú e XP a revisarem para cima suas projeções de inflação no setor alimentício, refletindo em elevações do IPCA para 5,4% a 5,5% em 2026. O aumento dos preços de alimentos impulsiona a inflação geral, dificultando a desinflação e pressionando o Banco Central a manter taxas de juros mais elevadas por um período prolongado.
Perspectivas para a política monetária e o ciclo de juros em 2026
Em resposta a esse cenário complexo, o Comitê de Política Monetária (Copom) adota uma postura cautelosa, com possibilidade limitada para cortes na Selic nas próximas reuniões de junho. Instituições como Genial Investimentos e Banco Pine defendem a interrupção imediata do ciclo de alta, estacionando a taxa em 14%. A XP prevê até duas reduções de 0,25 ponto percentual, encerrando o ano em 14%. Já o Bank of America aumentou sua projeção da Selic para 14,25%, apontando apenas um último corte no ano e uma pausa até meados de 2027, alinhando-se ao comportamento esperado do Federal Reserve dos EUA. A inflação persistente e os desafios fiscais reduzem a margem para flexibilização monetária, exigindo cautela na gestão da política econômica brasileira.





