Projeto amplia área verde no centro de São Paulo para impulsionar o Brás e a Sé

Parque Dom Pedro 2º ganhará nova vida com proposta que conecta lazer, cultura e transporte público

Projeto amplia área verde no centro de São Paulo para impulsionar o Brás e a Sé
Vista aérea do Parque Dom Pedro 2º, área central de São Paulo que será requalificada para ampliar áreas verdes e integrar o entorno. Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Projeto prevê ampliar o Parque Dom Pedro 2º em São Paulo para criar o 'Ibirapuera do Centro', conectando equipamentos culturais e valorizando imóveis no Brás e Sé.

O Parque Dom Pedro 2º, localizado no coração de São Paulo, passará por uma transformação que promete reavivar a região central da cidade. O projeto “Parque Dom Pedro 2º – Laços da Amizade”, idealizado pelo professor do Insper Cidades, José Police Neto, tem como objetivo ampliar em oito vezes a atual área verde, promovendo uma integração inédita entre os bairros do Brás e da Sé.

Requalificação histórica com foco no verde e no desenvolvimento imobiliário

Inaugurado em 1922, o parque já foi o principal ponto de lazer da capital, especialmente entre as décadas de 1940 e 1960, quando abrigou o famoso parque de diversões Shangai. Entretanto, a construção de viadutos e o avanço da urbanização nas décadas seguintes reduziram significativamente seu potencial e áreas verdes. A proposta atual visa recompor e expandir a vegetação, conectando praças e terrenos vizinhos em uma área total aproximada de 330 mil m² — equivalente a um quinto do Parque Ibirapuera.

José Police Neto destaca que essa ampliação vai além da recuperação ambiental, pois o parque será um catalisador para o desenvolvimento imobiliário dos bairros centrais, atraindo famílias de classe média e promovendo a valorização das regiões degradadas. Ele ressalta que a localização privilegiada e o acesso facilitado por transporte público são diferenciais importantes para o sucesso do empreendimento.

Proposta detalhada para transformar o centro

Integração verde: Extensão contínua do gramado ligando o metrô Pedro 2º ao Mercado Municipal e ao futuro Sesc, passando pelo Museu Catavento e outros equipamentos culturais.

Ampliação do parque: Inclusão gradual de áreas como a colina do Pateo do Collegio, praça Ragueb Chohfi e o quartel histórico Tabatinguera.

Infraestrutura viária: Remoção da pista da avenida do Estado sentido zona norte, redirecionando o tráfego para a avenida Mercúrio e criando acesso direto ao rio Tamanduateí.

Viadutos: Estudo para possível remoção dos viadutos Antônio Nakashima e Diário Popular, considerados subutilizados.

Acessibilidade: Remoção de grades e implantação de novas passarelas para integrar o parque aos terminais de ônibus e estações de metrô, facilitando o fluxo de pedestres.

Rio Tamanduateí: Aproveitamento das margens com áreas de lazer e cais, alinhado à expectativa de despoluição do rio até 2030.

Impactos econômicos e sociais da iniciativa

O projeto será realizado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), que, segundo José Police Neto, deve ser repactuada para evitar a exploração do parque com grandes eventos e shows, prática que poderia afastar moradores e prejudicar o uso diário do espaço. A redução da receita com eventos seria compensada pela menor exigência de investimentos do concessionário.

Com um parque mais atrativo e democrático, a cidade poderá garantir aumento na arrecadação de impostos via valorização imobiliária e revitalização dos distritos do Brás e Sé, contribuindo para a recuperação e dinamização do centro histórico de São Paulo.

Serviço e segurança

Transporte: O parque conta com estação de metrô Pedro 2º e dois terminais de ônibus, incluindo o único BRT do município, garantindo alta acessibilidade.

Previsão climática: Espera-se clima ameno durante o verão 2026, ideal para atividades ao ar livre.

Segurança: Projetos de revitalização contemplam reforço nas estruturas de segurança e mobilização de equipes para manutenção e monitoramento constantes.

Acesso facilitado: Novas passarelas e remoção de barreiras vão proporcionar circulação livre e segura a pedestres.

  • Saneamento: A despoluição do rio Tamanduateí está prevista para ser concluída até 2030, melhorando a qualidade ambiental da região.

Este investimento representa um passo importante para transformar o centro de São Paulo em um espaço de convivência urbana exemplar, combinando qualidade ambiental, infraestrutura e desenvolvimento econômico integrado.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Eduardo Knapp/Folhapress