Cúpula do partido responsabiliza marqueteiro de Sidônio Palmeira pela derrota de Lula no primeiro turno contra Flávio Bolsonaro

Liderança do PT articula saída de Raul Rabelo, braço direito do ministro da Comunicação, e entrada de João Santana como marqueteiro ou consultor para reta final da campanha
A cúpula do PT avalia substituir Raul Rabelo, braço direito do ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Sidônio Palmeira, por João Santana para o segundo turno das eleições. Emissários foram acionados para sondar Santana, que liderou campanhas vitoriosas do PT com Lula em 2006 e Dilma Rousseff em 2010. A alternativa é colocá-lo como consultor da campanha para esta reta final.
A avaliação de três petistas é que Sidônio e Rabelo foram os principais responsáveis pela derrota de Lula diante de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Segundo a liderança do partido, a campanha foi tocada sob improviso, com o debate alheio à realidade das ruas. Questões como soberania e terras raras foram priorizadas em vez de temas que afetam diretamente o eleitor, como custo de vida.
Disputas internas também prejudicaram a campanha. Um exemplo foi o debate sobre bets. Enquanto Sidônio defendia o fim total, o presidente do PT, Edinho Silva, defendia uma abordagem gradativa via Congresso. Ao final, a proibição prevaleceu, mas o noticiário dividiu crédito entre a medida do governo e a vitória interna de Sidônio, enfraquecendo a mensagem.
A estratégia nunca foi bem definida, conforme análise de uma ala do partido. Apostou-se demais na máquina do Estado e em pacote de bondades, sem avaliar o impacto eleitoral efetivo. Medidas como reajuste do Bolsa Família, fim das bets e renegociação de dívidas não tiveram o impacto esperado.
Sidônio não conseguiu rebater o discurso principal de Flávio Bolsonaro: o custo de vida, simbolizado pelo carrinho do supermercado que não consegue ser enchido devido aos preços dos produtos. Para petistas, o governo Lula 3 tem bons indicadores de inflação, desemprego e crescimento, que precisavam ser mais explorados.
A percepção de piora da economia deveria ter sido explicada por fatores externos ao governo, como o conflito no Oriente Médio, que impactou o preço dos combustíveis, ou fenômenos climáticos, que afetaram o preço dos alimentos. A leitura é que Sidônio entrou no período eleitoral sem reduzir a taxa de desaprovação do governo, hoje na casa de 50%.
A informação foi publicada pelo portal Metrópoles e confirmada pela CNN.






