Reag investigada no caso Master perde administração do fundo da arena do Corinthians

Banco Central decreta liquidação da Reag, que administrava o Arena Fundo de Investimento Imobiliário, e fundo busca nova gestora

Reag investigada no caso Master perde administração do fundo da arena do Corinthians
Vista aérea da Neo Química Arena, estádio do Corinthians. Foto: Reuters

A Reag, investigada no caso Master, teve sua liquidação decretada pelo BC e deixará de administrar o fundo imobiliário da Neo Química Arena.

A liquidação da Reag e seus efeitos sobre o fundo da Neo Química Arena

A Reag investigada no caso Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em 15 de janeiro de 2026, impactando diretamente o Arena Fundo de Investimento Imobiliário (FII), que administra o estádio do Corinthians, a Neo Química Arena. Com patrimônio líquido de R$ 672 milhões e três cotistas classificados como pessoas jurídicas, o fundo precisa urgentemente encontrar uma nova administradora para garantir sua continuidade e estabilidade.

João Carlos Mansur, fundador da Reag, é uma figura central nesse cenário. Além de comandar a gestora até setembro de 2025, Mansur integra o conselho deliberativo do Palmeiras, clube rival do Corinthians, o que adiciona complexidade política ao caso. Ele também foi alvo de investigações anteriores relacionadas a contratos controversos. Sua defesa declara estar à disposição das autoridades para esclarecer os fatos, ressaltando que ainda não teve acesso completo ao processo.

A investigação do caso Master e a Operação Carbono Oculto

A Reag está sob investigação por suposta participação em fraudes financeiras que teriam inflado artificialmente ativos vinculados ao Banco Master. A situação ganhou mais gravidade com a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025, que apura a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em negócios da economia formal, incluindo o mercado financeiro. A Reag foi um dos alvos da operação, que resultou em mandados de busca e apreensão ligados a Mansur e outros envolvidos.

Essa investigação coloca em xeque a credibilidade da gestora e, consequentemente, do fundo imobiliário da Neo Química Arena. Desde a deflagração da operação, o Corinthians busca substituir a administradora, mas a definição de uma nova empresa depende ainda da aprovação da Caixa Econômica Federal, instituição que atua como cotista e reguladora no processo.

Implicações para os cotistas e o mercado financeiro

Com a liquidação da Reag, os fundos imobiliários administrados pela empresa não serão encerrados automaticamente, pois os ativos pertencem aos cotistas e não à gestora. Entretanto, durante o período de transição até que um novo gestor seja nomeado, o fundo permanecerá bloqueado para movimentações, sem entrada ou saída de cotistas, o que pode afetar a liquidez e a confiança dos investidores.

Segundo especialistas, caso nenhum novo administrador aceite a gestão, os fundos podem ser liquidados, com o lucro ou prejuízo da venda dos ativos sendo repartido entre os cotistas. Normalmente, fundos atrativos e rentáveis conseguem encontrar novos gestores com facilidade, mas a situação de crise pode dificultar esse processo, com impactos no mercado imobiliário e financeiro.

Histórico de João Carlos Mansur no mercado esportivo e financeiro

Além da Reag, Mansur possui uma trajetória marcada por polêmicas e influência no futebol paulista. Em 2024, tentou explorar a imagem do zagueiro Vitor Reis, do Palmeiras, em ações comerciais, e participou de negociações para administrar o Allianz Parque. Em 2009, foi alvo de investigação interna no Palmeiras por contratos de consultoria questionados pelo então presidente Luiz Gonzaga Belluzzo.

Sua aspiração de presidir o Palmeiras, segundo pessoas próximas, conflita com os recentes desdobramentos judiciais e a perda da credibilidade da Reag, refletindo na complexa relação entre mercado financeiro, esportes e política esportiva.

Perspectivas para o Arena Fundo de Investimento Imobiliário

O futuro do Arena FII depende da escolha de uma nova administradora que inspire confiança aos cotistas e ao mercado. A movimentação do Corinthians para substituir a Reag demonstra preocupação com a gestão dos recursos ligados ao estádio. A Caixa Econômica Federal desempenha papel crucial no processo, dada sua influência e participação no fundo.

Enquanto isso, o fundo permanece em um estado de transição, com movimentações financeiras suspensas, o que afeta a dinâmica de investimentos associados à Neo Química Arena. Este caso evidencia os desafios enfrentados por fundos imobiliários ligados a grandes empreendimentos esportivos diante de crises institucionais e investigações criminais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Reuters