Economista da Rio Bravo calcula que despesa extra representa 0,37% do PIB em um ano, com destaque para benefícios do INSS

Reajuste do salário mínimo de R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027 gerará pressão orçamentária de R$ 54,6 bilhões na Previdência Social.
O reajuste do salário mínimo para R$ 1.741 em 2027 custará R$ 54,6 bilhões aos cofres da Previdência Social em um período de 12 meses, conforme cálculo do economista José Alfaix, da Rio Bravo. O valor representa um aumento de cerca de 5% no total das despesas previdenciárias e equivale a 0,37% do Produto Interno Bruto (PIB).
A projeção considera todos os benefícios atrelados ao INSS, incluindo aposentadorias, pensões, auxílios e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O piso salarial passará de R$ 1.621 para R$ 1.741 a partir de 2027.
O Benefício de Prestação Continuada, programa assistencial voltado a idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência, absorverá um impacto direto de R$ 10,4 bilhões, uma vez que seu piso e teto correspondem estritamente a um salário mínimo.
No Regime Geral de Previdência Social (RGPS), a pressão orçamentária se concentra na base. Dos 41,6 milhões de benefícios mantidos pelo governo, 68,4% (cerca de 28,3 milhões de brasileiros) são pagos no valor exato de um salário mínimo, gerando um custo extra de R$ 44,2 bilhões ao INSS. Aposentadorias que superam o piso não recebem ganho real pelo salário mínimo, sendo atualizadas apenas pela inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
O novo reajuste do Bolsa Família deve ter um peso fiscal menor. O governo anunciou que o piso mínimo do benefício passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro de 2026, gerando um impacto de R$ 23,1 bilhões aos cofres públicos em um período de 12 meses, o que representa cerca de 0,18% do PIB, segundo o economista.
Para Alfaix, o modelo de indexação das aposentadorias ao salário mínimo provoca distorções entre os atores da economia. “Você tá assumindo que o aposentado do INSS deveria receber a mesma coisa, o mesmo reajuste que uma pessoa que está trabalhando em uma obra e recebe um salário mínimo”, ponderou. Para ele, do ponto de vista econômico, reajustes baseados na inflação medida sobre o custo de vida específico da terceira idade seria mais coerente e preciso.






