Operações Enxágue e Catéter investigam lavagem de dinheiro via fundos de investimento. Sequestro de bens atinge R$ 271,4 milhões.

Itens apreendidos durante operações. — Foto: MP-PR
Operações Enxágue e Catéter cumprem 64 mandados de busca em quatro estados. Investigação apura sonegação de impostos e lavagem de dinheiro no comércio de sebo.
A Receita Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram nesta quarta-feira (4) 64 mandados de busca e apreensão contra organizações criminosas suspeitas de sonegação de impostos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no comércio de sebo e gordura animal. Os mandados são executados em cidades do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A Justiça ordenou o sequestro e a indisponibilidade de bens, direitos e valores de nove investigados, totalizando R$ 271.481.696,96. Entre os valores congelados estão contas bancárias, veículos, imóveis, participações em empresas e investimentos.
Londrina concentra 23 dos mandados cumpridos. Maringá tem 15; São Paulo (SP), 15; Arapongas, 6; Apucarana, Cambé, Rolândia e Paiçandu, 4 cada. Outras cidades com mandados incluem Cianorte, Jandaia do Sul, Curitiba, São José dos Pinhais, Campinas, Passo Fundo (RS), Goioerê, Toledo, Foz do Iguaçu, Joinville (SC), Erechim (RS) e Marau (RS).
As operações Enxágue e Catéter, embora autônomas, são conexas. Conforme o Ministério Público do Paraná (MP-PR), ambas identificaram os mesmos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) geridos pela mesma instituição, utilizados para “converter títulos sem lastro em recursos com aparência de legalidade”.
Segundo as investigações, o esquema funcionava da seguinte forma: fornecedores vendiam sebo e gordura animal sem emitir notas fiscais ou emitiam documentos destinados a empresas de fachada, mesmo sem que as mercadorias fossem transportadas até elas. Em seguida, as chamadas empresas “noteiras” emitiam notas fiscais para as indústrias compradoras. Registradas em nome de terceiros, essas empresas não possuem operação comercial real e geram créditos fictícios de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
As empresas de fachada assumiam as dívidas tributárias, embora não tivessem patrimônio ou estrutura física, permitindo que os verdadeiros responsáveis pelas operações ocultassem a propriedade dos negócios. Os nomes dos alvos não foram divulgados oficialmente.







