Reforma tributária e o desafio dos pequenos negócios na formação de preços

Mudanças na tributação a partir de 2027 exigem planejamento estratégico para manter a competitividade no mercado

Reforma tributária e o desafio dos pequenos negócios na formação de preços
A partir de 2027, a formação de preços precisa considerar se o contratante é pessoa física, microempresa ou empresa de maior porte, um aspecto que muda o custo percebido do serviço e pode definir quem permanece competitivo no mercado • katemangostar/Freepik

A reforma tributária altera a formação de preços e impacta a competitividade dos pequenos negócios, exigindo maior planejamento e análise do perfil dos clientes.

A reforma tributária e a nova lógica de formação de preços a partir de 2027

A reforma tributária impacta diretamente a competitividade dos pequenos negócios ao alterar a forma como os preços são formados no Brasil a partir de 2027. Segundo Charles Gularte, sócio-diretor da Contabilizei, a principal mudança está na consideração do perfil do cliente final — pessoa física, microempresa ou empresa de maior porte — o que influencia o custo percebido do serviço e, consequentemente, a competitividade. Essa alteração tem potencial para redefinir quem permanece no mercado.

Impactos da ampliação da lógica de débito e crédito tributário para pequenos negócios

Com a reforma, as empresas poderão tomar crédito apenas sobre o imposto efetivamente pago na cadeia produtiva. Isso gera uma desvantagem para fornecedores do Simples Nacional, que pagam menos tributos e, portanto, geram menos crédito para seus clientes. Pequenos negócios terão mais dificuldades para gerar crédito tributário em comparação com grandes empresas, o que pode levar à perda de contratos, mesmo com preços nominais semelhantes. A nova regra favorece fornecedores que geram mais crédito tributário, tornando o cenário mais desafiador para os pequenos empreendedores.

Setores mais afetados: serviços e construção civil diante da concentração do imposto

Setores como varejo e indústria tendem a diluir o impacto da reforma devido às longas cadeias de suprimentos que possibilitam maior geração de crédito tributário. Já o segmento de serviços enfrenta maiores desafios porque suas cadeias produtivas são curtas e têm baixa geração de crédito, além da alta concentração de custos em mão de obra, que não gera crédito tributário. Isso resulta em maior concentração do imposto na ponta, pressionando as margens e os preços finais. A construção civil sofre ainda mais, pois une intensivamente serviços e mão de obra em uma cadeia pulverizada, podendo elevar os custos das obras em até 20%, o que exige revisão de modelos de precificação e negociação.

O papel do Simples Híbrido e a necessidade de planejamento estratégico dos empreendedores

Para mitigar os efeitos negativos, a reforma institui o Simples Híbrido, que permite que empresas do Simples Nacional optem pelo regime regular para apurar tributos quando mais vantajoso, possibilitando a tomada integral de crédito de insumos. Contudo, essa escolha deve ser feita com planejamento semestral, antecipando cenários futuros e variáveis como perfil de clientes e impactos na competitividade. O desafio para pequenos negócios é maior, pois muitos já enfrentam dificuldades para formar preços adequadamente. A reforma exige que esse processo seja tratado como estratégia para evitar perda de margem e de contratos.

Estratégias recomendadas para pequenos negócios manterem competitividade em ambiente tributário complexo

Especialistas recomendam que pequenos empreendedores mapeiem os perfis dos clientes atendidos, analisem quais podem se beneficiar do crédito tributário e simulem diferentes cenários de precificação e modelo de negócio. Alinhar preço, perfil do cliente e regime tributário torna-se essencial para garantir sustentabilidade e crescimento. A reforma muda o jogo da competitividade e exige que a gestão dos pequenos negócios passe a considerar o impacto tributário nas decisões comerciais e na formação de preços, sob o risco de perder espaço no mercado e comprometer sua viabilidade econômica.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br