Especialistas apontam indecisão do eleitor na reta final como fator que historicamente derruba favoritos na Casa Alta

O segundo voto para Senado permanece como grande incógnita em eleições com duas vagas por estado, podendo surpreender favoritos na reta final.
O segundo voto para o Senado permanece como grande incógnita capaz de derrubar favoritos nas eleições. Com duas vagas em disputa por estado, cada eleitor escolhe dois candidatos, mas muitos definem apenas o primeiro nome com antecedência, deixando o segundo para a última hora.
Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, esse padrão explica a dificuldade das pesquisas em prever resultados. “A pesquisa mais difícil de fazer é a do Senado, porque o cenário muda muito na reta final”, afirmou. Nas eleições com duas vagas em disputa, acrescentou Tokarski, o segundo voto é sempre uma incógnita e pode mudar a conjuntura.
O fenômeno se explica pela indecisão até a última hora e o desinteresse do eleitor pelo cargo. Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, apontou que a indecisão do eleitor para o Senado é equivalente à de deputado federal.
“Os candidatos ideológicos em geral têm o 1º voto, mas não o 2º. Esse foi o caso, por exemplo, dos petistas Dilma Rousseff em Minas Gerais e Eduardo Suplicy em São Paulo em 2018”, citou Russo. Segundo ele, a direita possui mais indecisos para o Senado, mas é frequentemente beneficiada na reta final por esse segundo voto útil.
O histórico das disputas para a Casa Alta mostra que muitos favoritos ficaram de fora, enquanto azarões surpreenderam. Russo observou que o eleitor de alta renda vota mais, o que favorece determinados candidatos. A abstenção, informou Tokarski, vem crescendo historicamente: foi de 19% para 20% entre 2014 e 2018 e depois cresceu para 21% em 2022.
Tokarski lembrou que o eleitor que desiste de votar é majoritariamente de mais baixa renda e escolaridade, formando a base principal dos incumbentes desde Fernando Henrique Cardoso.







