Apesar das tensões no Oriente Médio, Paris mantém calendário e destaca trajetórias de diretores criativos nas principais maisons

Semana de moda de Paris segue firme em meio a tensões globais, valorizando a consolidação criativa e identidade das maisons renomadas.
Panorama da Semana de Moda de Paris em meio a tensões internacionais
A Semana de moda de Paris de outono/inverno 2026 começou nesta segunda-feira, 2 de março, mantendo seu calendário original apesar da escalada do conflito no Oriente Médio. O evento ocorre em um momento delicado, com recentes ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, mas a programação segue firme, reunindo cerca de 70 desfiles até o dia 10. Pascal Morand, presidente-executivo da Federação de Alta-Costura e Moda, confirmou que não houve alterações no cronograma. A abertura ficou por conta dos alunos do Instituto Francês da Moda, que apresentaram silhuetas acolchoadas e volumes inflados, simbolizando uma espécie de proteção visual contra a incerteza global. Essa escolha artística reflete o clima de busca por segurança e resiliência no setor.
Diretores criativos e a nova fase das grandes maisons
A semana de moda evidencia um momento de transição e consolidação para as principais maisons. Após o período de estreias impactantes na primavera-verão 2026, a temporada atual foca na afirmação e aprofundamento dos discursos criativos. Nomes como Matthieu Blazy na Chanel, Jonathan Anderson na Dior e Pierpaolo Piccioli na Balenciaga passaram por intensas estreias recentemente. Agora, espera-se que esses criadores aprimorem suas narrativas e fortaleçam suas identidades visuais e conceituais. Os desfiles da Dior e da Chanel são os mais aguardados, pois indicarão os rumos das casas sob essas novas lideranças e como elas enfrentarão os desafios do mercado e do contexto global.
Transições e desafios em marcas de destaque como Loewe e Balmain
Outro destaque importante da temporada é a Loewe, que passa por uma reestruturação criativa com a entrada de Jack McCollough e Lazaro Hernandez, fundadores da Proenza Schouler. Essa dupla assumiu a direção criativa após a saída de Jonathan Anderson, que revitalizou a marca na última década. A estreia deles, em outubro, chamou atenção pelo uso de cores vibrantes e referências culturais, como a estética de Pedro Almodóvar. A coleção apresentada nesta sexta-feira deverá indicar os próximos passos dessa nova fase. A Balmain também está sob os holofotes, agora com Antonin Tron, que sucede Olivier Rousteing. Tron traz na bagagem experiências em Givenchy, Louis Vuitton e Balenciaga, e terá o desafio de manter o protagonismo da casa. Por fim, Gabriela Hearst volta a Paris reforçando o compromisso com o luxo sustentável, tema cada vez mais relevante para a indústria.
Moda e identidade: afastando-se do choque para buscar consistência
Ao contrário de temporadas anteriores marcadas por propostas provocativas e surpreendentes, esta edição da Semana de Moda de Paris privilegia a construção de uma identidade sólida e coerente. O setor demonstra maturidade ao focar menos na busca pelo impacto imediato e mais na sustenção de uma visão criativa clara e duradoura. Este movimento também pode ser interpretado como uma resposta às incertezas políticas e econômicas globais, com a moda assumindo um papel mais reflexivo e estruturado. A retomada dessa postura ocorreu após a semana de moda de Milão, que já indicava essa tendência de aprofundamento e consistência.
Impactos do contexto geopolítico na indústria da moda
O conflito no Oriente Médio exerce uma pressão indireta sobre o setor de moda, especialmente em um evento de porte internacional como a Semana de Moda de Paris. A manutenção do calendário, apesar das tensões, demonstra a resiliência da indústria e seu compromisso com a continuidade cultural e econômica. A escolha dos alunos do Instituto Francês da Moda para abrir o evento com peças que remetem a uma proteção exagerada evidencia o impacto do momento na criação artística. Além disso, a busca por estabilidade e identidade nas coleções pode ser vista como um reflexo do desejo do setor de superar um período de instabilidade global, reafirmando sua relevância e influência no cenário mundial.





