Investigação brasileira identifica ex-agente da Mossad acompanhando senador; operação classificada como exfiltração

Operação com duas vans cruzou Ponte Tancredo Neves na terça (27); jato argentino pousou em Miami na quarta (28). Investigação aponta exfiltração com envolvimento de Israel e EUA.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil em operação envolvendo suporte de ao menos dois países estrangeiros, segundo investigação conduzida por órgãos brasileiros. A fuga ocorreu na última terça-feira (27) por via terrestre através da Ponte Tancredo Neves, que conecta Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú (província de Misiones), na Argentina.
Duas vans com placas TBB 4A65 e FDF 8F91 cruzaram a ponte, captadas por câmeras de segurança. O senador viajou com sua esposa e duas filhas. Um dos motoristas é ex-vereador em Foz do Iguaçu; o outro é seu filho. Os motoristas não precisaram apresentar passaporte para entrada na Argentina.
Segundo a apuração, um ex-agente israelense naturalizado norte-americano que trabalhou para a agência de inteligência Mossad chegou ao Brasil em 19 de outubro. O agente acompanhou Flávio de Brasília até a Argentina e estava na van durante a travessia da fronteira.
De Puerto Iguazú, a família Bolsonaro embarcou em um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina de fretamento aéreo Baires Fly. A aeronave fez parada para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, e pousou no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, Flórida, por volta das 10h30 de quarta-feira (28).
De acordo com reportagem do New York Times, o jato particular foi providenciado por Jason Miller, estrategista político de Donald Trump que atualmente atua como funcionário especial do governo na Casa Branca.
Ao chegar nos Estados Unidos, Flávio utilizou passaporte diplomático, apesar de o documento ter sido cancelado pela Polícia Federal. Segundo integrantes do governo brasileiro com base nas informações levantadas pelos órgãos investigadores, houve envolvimento de autoridades da Argentina e dos Estados Unidos na operação. Os investigadores classificaram a ação como uma exfiltração, termo usado quando ocorre transferência intencional, não autorizada e oculta de dados ou pessoas para fora de um sistema.







