Queda foi impulsionada pela reeleição de Lula e pela desmontagem de apostas do mercado em mudança fiscal. Índice acumula perda de 9,88% em outubro.

Ibovespa caiu 0,75% nesta sexta-feira (30) e acumulou perda semanal de 18,12%, maior desde março de 2020. Queda foi pressionada pela reeleição de Lula.
O Ibovespa caiu pelo quinto pregão seguido nesta sexta-feira (30) e registrou a maior queda semanal desde 2020, pressionado por uma forte reprecificação das ações na bolsa paulista após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O índice de referência do mercado acionário brasileiro encerrou o dia com declínio de 0,75%, a 167.921,80 pontos, acumulando uma perda semanal de 18,12%. Esta é a maior queda desde o recuo de 18,88% na semana encerrada em 20 de março de 2020, na pandemia da Covid-19. No pior momento da sessão, o índice cedeu a 167.007,57 pontos. Na máxima, marcou 169.184,60 pontos. No mês de outubro, o Ibovespa caiu 9,88%, sua maior perda mensal desde junho de 2022.
O volume financeiro somou R$43,47 bilhões, com o fim de semana prolongado pelo feriado na segunda-feira.
Segundo Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, a mudança no desempenho do índice está relacionada ao desfecho das eleições. “O ponto central é que o mercado tinha apostado numa troca de governo e numa virada fiscal… Com a reeleição do Lula, essa aposta foi desmontada de uma vez”.
O Ibovespa havia renovado máximas no começo de outubro, superando os 209 mil pontos, após o senador Flávio Bolsonaro (PL) liderar o primeiro turno da eleição presidencial. Este resultado alimentou apostas no mercado de uma mudança em Brasília. O segundo turno, porém, teve desfecho diferente, com Lula conquistando o quarto mandato.
Segundo Gass, a continuidade do governo reduz a expectativa de mudança nas contas públicas. “Sem dúvidas, a continuidade do governo reduz a expectativa de mudança nas contas públicas, empurrando o juro longo para cima e dificulta cortes mais agressivos da Selic”. O analista também chamou atenção para a saída de capital externo das ações brasileiras no período.
De acordo com dados da B3, houve uma saída líquida de estrangeiros do mercado secundário de quase R$7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana. No mês, porém, o saldo segue positivo, em quase R$8,6 bilhões. No ano, alcança quase R$36 bilhões. No primeiro pregão após o primeiro turno, a bolsa registrou um fluxo positivo de R$10 bilhões.
O cenário externo também pressionou o mercado brasileiro nesta sexta-feira, em meio a preocupações com os investimentos em inteligência artificial, após a divulgação dos balanços de empresas como Alphabet e Amazon nos últimos dias.







