Fenômeno climático extremo já influencia decisões sobre safra 2026/27 e levanta questões sobre quem arcará com prejuízos no setor rural

Super El Niño expõe vulnerabilidade do país a eventos climáticos. Setor de seguros rurais já avalia impactos na safra 2026/27 antes de qualquer perda no campo.
Super El Niño expõe fragilidade financeira do país diante de eventos climáticos extremos
A iminência de um Super El Niño traz à superfície uma questão estrutural: quem pagará a conta dos impactos climáticos que devastam o setor agrícola? Segundo Fabio Damasceno, diretor técnico de seguro rural da Mapfre e vice-presidente da Comissão de Seguros Rurais da FenSeg, o fenômeno já redefine as prioridades financeiras do agronegócio antes de qualquer dano tangível.
Decisões antecipadas no planejamento da safra
O risco climático não aguarda a chegada das chuvas para impactar a economia rural. Produtores e seguradoras já ajustam suas estratégias para 2026/27, refletindo incertezas sobre a magnitude e alcance do Super El Niño. Essa antecipação revela como eventos meteorológicos extremos influenciam decisões investimento muito antes da ocorrência de perdas efetivas nas lavouras.
A fragilidade do sistema de proteção
O setor de seguros rurais enfrenta desafios estruturais para cobrir os danos potenciais de fenômenos de grande escala. A capacidade de ressarcimento depende de mecanismos de subsídio governamental e participação do setor privado, um arranjo que se mostra insuficiente em cenários extremos. A concentração de riscos em períodos de El Niño intenso testa os limites do sistema vigente.
Repercussões econômicas além da porteira
Os efeitos ultrapassam a fazenda e atingem toda a cadeia produtiva. Fornecedores de insumos, cooperativas e indústrias de processamento enfrentam vulnerabilidades ligadas ao desempenho agrícola. O impacto financeiro se multiplica ao longo das cadeias de valor, expondo a interdependência entre setores aparentemente distantes.
Perspectivas para o próximo ciclo
A experiência com fenômenos climáticos anteriores sugere que investimentos em infraestrutura hídrica, tecnologias de adaptação e aprimoramento de seguros são necessários. Contudo, a ausência de políticas públicas robustas de mitigação mantém o agronegócio em posição de vulnerabilidade frente a eventos extremos que tendem a se intensificar.





