Taxas elevadas no porto de Santos dificultam comércio exterior brasileiro

Estudo revela que o congestionamento no maior porto do país é principal causa do aumento nos custos de movimentação de contêineres

Taxas elevadas no porto de Santos dificultam comércio exterior brasileiro
Movimentação de contêineres no Porto de Santos. Foto: Reuters — Foto: Reuters)

Congestionamento no porto de Santos aumenta em até 21,5% as taxas de movimentação de contêineres, impactando o custo do comércio exterior.

O impacto das taxas de movimentação no porto de Santos para o comércio exterior

O porto de Santos, em 2024, movimentou mais de 3,7 milhões de TEUs e concentra cerca de 27% da movimentação nacional de contêineres, mas cobra uma taxa média 21,5% superior às demais praças portuárias do Brasil. O congestionamento é apontado como o principal fator que eleva os custos das Terminal Handling Charges (THC), taxas essenciais para a movimentação física dos contêineres desde o navio até o pátio. Bruno Pinheiro, gerente do Observatório de Infraestrutura de Transportes do IBI, destaca que essa situação reflete um descompasso entre a capacidade atual do terminal e o crescimento da demanda, acarretando prejuízos à competitividade do comércio exterior brasileiro.

A distorção tarifária em Suape e suas implicações

O porto de Suape, Pernambuco, apresenta um quadro ainda mais preocupante apesar de sua menor escala. As taxas em Suape são 76,5% superiores às praticadas em outros portos, mesmo operando com capacidade instalada 57% abaixo da média nacional e movimentando 55% menos carga. A insuficiência de explicações nos dados disponíveis sugere que fatores locais e estruturais, ainda não plenamente identificados, estão influenciando negativamente sua precificação. Essa disparidade revela a necessidade de análises aprofundadas para entender as causas e promover políticas que equilibrem os custos portuários em todo o país.

A relação entre volume movimentado, capacidade e redução de custos portuários

Um dos pontos mais relevantes do estudo do IBI é a comprovação da existência de economias de escala nos terminais portuários. Conforme o modelo econométrico, um aumento de 10% no volume de carga movimentada tende a reduzir a THC em aproximadamente 10,3%. Porém, essa redução só se concretiza se houver expansão proporcional da capacidade do terminal. O porto de Santos ilustra o efeito contrário, onde o crescimento superior da demanda sem o aumento da infraestrutura gera filas de navios e eleva o preço das operações, comprometendo o efeito benéfico das economias de escala.

A urgência da expansão do Porto de Santos para a redução dos custos logísticos

Diante da capacidade atual atingida e do congestionamento crescente, a expansão do porto é apontada como prioridade estratégica. O projeto Tecon Santos 10, planejado para o Cais do Saboó, prevê ampliar a capacidade da praça em cerca de 50%, com uma previsão de 3,5 milhões de TEUs por ano. Apesar da importância, o projeto enfrenta atrasos e impasses regulatórios que adiam sua execução. A demora impacta diretamente a competitividade do Brasil no comércio exterior, além de postergar melhorias na infraestrutura para cruzeiros e outros serviços portuários.

Projeções de redução de custos com a ampliação da capacidade portuária

Modelagens indicam que a implementação do Tecon Santos 10 pode reduzir as taxas de movimentação em até 38,4% no cenário conservador, podendo chegar a uma queda de 64,6% caso o tempo médio de espera dos navios também seja normalizado. Isso representaria uma economia significativa para exportadores e importadores, reduzindo o custo médio por contêiner de aproximadamente US$ 300 para valores entre US$ 147 e US$ 240. Esses dados evidenciam o custo oculto que o atual gargalo portuário impõe à economia brasileira, reforçando a necessidade de ações imediatas de infraestrutura.

Considerações finais sobre o papel da infraestrutura portuária na economia brasileira

A infraestrutura portuária, especialmente no porto de Santos, transcende o âmbito técnico e económico, influenciando diretamente o custo de bens essenciais e a competitividade do país no cenário global. A taxa elevada de movimentação de contêineres e o congestionamento persistente refletem uma conjuntura que afeta desde o produtor até o consumidor final. Políticas públicas focadas na expansão e modernização dos terminais são imperativas para evitar que o Brasil continue pagando um ‘pedágio estrutural’ em suas operações de comércio exterior, prejudicando o desenvolvimento econômico e a geração de empregos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Reuters)