Mercedes de Freitas critica mudança na acusação e destaca impactos do tráfico e corrupção na Venezuela
Mercedes de Freitas, da Transparência Venezuela, manifesta surpresa com mudança do Departamento de Justiça dos EUA na acusação contra Nicolás Maduro por narcotráfico.
A diretora-executiva da Transparência Venezuela, Mercedes de Freitas, expressou perplexidade diante do recente recuo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos na acusação contra Nicolás Maduro relacionada ao narcotráfico. Em discurso proferido no Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, ela destacou a complexidade do problema e os desafios para a comunidade internacional diante dos crimes estruturais que afetam a Venezuela.
Contexto da Acusação e Recuo dos EUA
Mercedes de Freitas comentou que a revisão da denúncia americana, que deixou de qualificar o Cartel de los Soles como uma organização criminosa liderada diretamente por Maduro, gerou dúvidas sobre os fundamentos da acusação inicial. Segundo ela, a nova caracterização do grupo como um “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção” reflete uma visão diferente, que não esclarece totalmente a responsabilidade do ditador venezuelano.
“Não entendi. Não tenho a menor ideia do porquê. Foi muito estranho”, afirmou a diretora, acrescentando que espera que o andamento do julgamento possa esclarecer o motivo do recuo e trazer mais transparência ao caso.
Amplitude da Corrupção e Narcotráfico na Venezuela
Durante sua apresentação na ONU, Mercedes detalhou dados de investigação da Transparência Venezuela, entidade que atua há mais de uma década monitorando esquemas de corrupção e crimes relacionados no país:
Casos de corrupção: 172 casos judiciais em cerca de 30 países, envolvendo setores estratégicos como energia, saúde, água e alimentos.
Relação com a PDVSA: Aproximadamente 90% dos casos estão ligados direta ou indiretamente à estatal petrolífera venezuelana, com desvio estimado de US$ 72 milhões por Maduro.
Narcotráfico: Estimativa de US$ 8 bilhões movimentados em 2024, com a Venezuela servindo majoritariamente como rota de trânsito de drogas, principalmente na fronteira com a Colômbia.
Outras atividades ilícitas: Mineração ilegal de ouro, extorsão e tráfico de pessoas também compõem economias paralelas que prosperam pela captura do Estado.
“São crimes que prosperam em um ambiente de captura do Estado e de ausência completa de instituições independentes”, ressaltou Mercedes.
Perspectivas para a Venezuela e o Papel da Comunidade Internacional
Para a diretora da Transparência Venezuela, a remoção de Maduro do poder não representou uma verdadeira transição democrática no país. Segundo ela, houve apenas um rearranjo das forças políticas, com continuidade dos mesmos dirigentes e ausência de mudanças estruturais.
Mercedes defende que o enfrentamento da crise venezuelana não deve ser responsabilidade exclusiva dos Estados Unidos, mas sim um esforço coordenado de vários países, especialmente da América Latina. Destacou o papel que líderes regionais, como o presidente Lula, podem ter para impulsionar uma saída democrática.
Serviço e Segurança
Contexto internacional: O debate sobre a Venezuela na ONU evidencia a necessidade de coordenação global para a reconstrução institucional do país.
Investigações e transparência: O site corruptometro.org, mantido pela Transparência Venezuela, disponibiliza dados sobre os esquemas de corrupção desde 1999, fortalecendo o monitoramento público.
- Atenção da América Latina: A região precisa deixar a omissão e assumir protagonismo diante da crise humanitária e política venezuelana.
A análise de Mercedes de Freitas reforça a complexidade da situação venezuelana e o desafio para a comunidade internacional de promover soluções efetivas que garantam o Estado de Direito e a democracia no país.





