Decisões monocráticas de integrantes do tribunal revertidas por outros geram questionamento sobre politização na eleição

Tribunal Superior Eleitoral enfrenta perda de imagem ao adotar decisões monocráticas semelhantes às do Supremo Tribunal Federal durante eleição disputada
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enfrenta perda de imagem não apenas pela disputa acirrada nas eleições, mas pela forma como decisões monocráticas de seus integrantes parecem dirigidas a favorecer lados distintos na competição eleitoral.
Decisões de um integrante do tribunal são revertidas por outro cuja pressa e empenho parecem imediatamente associados a consertar danos que a decisão anterior causou ao lado oposto na disputa. Esse padrão reproduz o que já é conhecido do Supremo Tribunal Federal (STF), onde um ministro passa por cima do outro e parece normal que um integrante organize coligação eleitoral para favorecer um dos lados — no caso, ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A discussão sobre mérito de decisões tomadas nesses tribunais superiores foi substituída por questão distinta: a quem interessam as resoluções. Esse resultado é dos mais evidentes da politização no topo do Judiciário.
Outro resultado foi exibido nas urnas no primeiro turno, no qual a mesma politização foi identificada como fator de peso para explicar o resultado desfavorável ao governo que busca a reeleição. A conduta política dos tribunais superiores reforça a perda de legitimidade junto à população.
No momento, o processo de degradação paulatina porém constante da imagem que a população tem do Judiciário e seus tribunais superiores parece irreversível. Em boa medida, as eleições são disputadas em torno de quem conseguirá depois mandar no Judiciário — um sinal apontado como muito ruim para as instituições.






