USDA confirma primeiro caso de mosca-da-bicheira nos EUA após 60 anos

Praga foi detectada em um alce no Texas e pode custar US$ 1,8 bilhão à economia estadual, segundo estimativa de 2024

USDA confirma primeiro caso de mosca-da-bicheira nos EUA após 60 anos
Mosca-da-bicheira: praga parasita que se alimenta de tecido vivo do gado. Foto: Divulgação/USDA — (Foto: Divulgação/USDA)

O Departamento de Agricultura dos EUA detectou na quarta-feira a presença da mosca-da-bicheira do Novo Mundo no país após seis décadas

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou na quarta-feira (21) a primeira detecção da mosca-da-bicheira do Novo Mundo (NWS) no país desde sua erradicação em 1966. A praga representa mais uma preocupação econômica do que uma ameaça direta à segurança alimentar americana.

A infecção foi detectada em um alce silvestre no condado de Pecos, no Texas. O animal estava em uma fazenda de caça e foi relatado após ser abatido por um caçador, conforme informou o USDA em comunicado.

A mosca-da-bicheira é um parasita que se alimenta do tecido vivo do gado e já gerou centenas de milhões de dólares em perdas à cadeia produtiva americana ao longo de décadas. Embora tenha sido considerada erradicada em 1966, surtos isolados foram observados na fronteira com o México nas décadas seguintes.

Um estudo realizado pelo USDA em 2024 estimou o impacto econômico de um novo surto semelhante ao que ocorreu no Texas em 1976. Segundo a análise, a infestação poderia custar aos produtores do estado US$ 732 milhões por ano e à economia do Texas uma perda total de US$ 1,8 bilhão, com valores corrigidos pela inflação do período.

O Departamento ressaltou que a comparação com surtos históricos apresenta limitações, devido a mudanças no tamanho das populações de bovinos, ovinos e caprinos do Texas, além de novas práticas de manejo e procedimentos veterinários, diferentes multiplicadores econômicos e potenciais taxas de infecção.

Mesmo com essas ressalvas, acredita-se que infestações pelas larvas da mosca teriam impacto econômico significativo. A cadeia produtiva precisa contabilizar potenciais perdas com mortes de animais, diminuição da produção pecuária, redução da disponibilidade de animais de tração e esterco, maior demanda por serviços veterinários, medicamentos e inseticidas, além de mão de obra extra e custos com veículos para inspeção e tratamento de animais infestados.

Os custos de resposta à infestação incluem despesas pagos pelos estados, governo federal e organizações sem fins lucrativos, como educação pública, pesquisa de tratamentos, atividades de vigilância e gastos com a Técnica do Inseto Estéril (SIT).