Vietnã supera China como principal fornecedor de aço plano ao Brasil

Medidas antidumping contra produtos chineses abrem espaço para importações vietnamitas, que chegam a 176 mil toneladas em setembro

Vietnã supera China como principal fornecedor de aço plano ao Brasil
Vietnã se consolidou como principal fornecedor de aços planos ao Brasil em setembro

Vietnã se tornou principal origem de importações de aços planos pelo Brasil em setembro, ultrapassando China após medidas antidumping

O Vietnã superou a China em setembro como principal origem de importações de aços planos pelo Brasil, segundo dados apresentados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

Das 266 mil toneladas de aços planos importadas pelo Brasil em setembro, 176 mil vieram do Vietnã. A China importou cerca de 25 mil toneladas no mês passado, ante 135,5 mil trazidas do país em setembro de 2025, quando o Vietnã nem aparecia na lista das 15 principais origens de importações brasileiras de aço plano compilada pela entidade.

A mudança ocorreu após medidas antidumping tomadas nos últimos meses contra Pequim, que restringiram o fluxo de material chinês aos portos brasileiros. Segundo Carlos Loureiro, presidente do Inda, “Está havendo uma série de negócios com o Vietnã em que os importadores se juntam para trazer material para o Brasil. Isso já está começando a azeitar. Os números mostram que o Vietnã está muito firme no Brasil”.

No acumulado do ano, a China ainda é a principal origem das importações de aços planos pelo Brasil, com participação de 40,5% e um volume de 933,46 mil toneladas. O Vietnã aparece em seguida, com fatia de 20,4% correspondente a 470,2 mil toneladas, segundo dados do Inda.

O crescimento do Vietnã nas importações brasileiras ocorre mesmo com o produto vendido pelo país sendo em média US$ 50 mais caro que o chinês. Loureiro apontou que “Se entrar com ação antidumping contra o Vietnã, a medida é para um ano, um ano e meio para vir algum resultado”.

Em setembro, os distribuidores de aços planos, responsáveis por cerca de um terço das vendas das usinas siderúrgicas nacionais, tiveram queda de 7,2% na comercialização sobre um ano antes, para 336 mil toneladas. No acumulado do ano, o setor registra recuo de 2,1% nas vendas ante os primeiros nove meses de 2025, para 2,92 milhões de toneladas.

Segundo Loureiro, “A gente sente bastante retração de mercado interno em função da importação de produtos com aço, que é o grande desafio do Brasil”.