Elevadas taxas de juros e expansão das fintechs intensificam desafios do crédito ao consumidor no Brasil

Elevados juros e a expansão das fintechs aumentam o endividamento das famílias, exigindo maior educação financeira, diz economista Mauro Rochlin.
Como juros altos impactam o endividamento das famílias brasileiras
O cenário econômico recente mostra que os juros altos exercem pressão significativa sobre o endividamento das famílias brasileiras. Segundo o economista Mauro Rochlin, coordenador acadêmico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), essa realidade se agravou pela combinação dos altos custos do crédito com a oferta facilitada de empréstimos, principalmente por fintechs. O especialista afirma que a taxa de juros em torno de 15% tem sacrificado o consumidor, fazendo crescer rapidamente as dívidas, especialmente nas modalidades de cartão de crédito e empréstimo consignado.
A influência das fintechs e a expansão do crédito sem controle rigoroso
Nos últimos cinco anos, o mercado financeiro brasileiro passou por uma transformação com o avanço das fintechs. Essas instituições oferecem contas digitais e cartões de crédito com facilidade, muitas vezes sem uma análise rigorosa do perfil do cliente. Rochlin observa que essa facilidade acabou acelerando o endividamento das famílias, pois novos correntistas recebem crédito instantâneo, aumentando o risco de inadimplência. A ausência de tarifas e a estrutura leve das fintechs facilitam o acesso, mas também elevam os riscos para consumidores despreparados financeiramente.
Os programas governamentais e seus efeitos no consumo e na dívida
Apesar de tentar estimular o crescimento econômico por meio do aumento do consumo, o governo, segundo o economista, contribuiu para o endividamento ao incentivar o crédito facilitado, como no caso do empréstimo consignado via CLT. Rochlin avalia que programas anteriores, como o “Desenrola”, não conseguiram solucionar o problema da dívida, permitindo que os consumidores apenas trocassem dívidas ou aumentassem o volume total delas. Essa abordagem gerou um efeito contrário ao pretendido, agravando a situação financeira das famílias.
A importância da educação financeira para evitar o ciclo da bola de neve
Para enfrentar o desafio do endividamento elevado, Mauro Rochlin defende a implementação de campanhas de educação financeira que conscientizem os consumidores sobre os riscos dos juros altos e o uso responsável do crédito. Ele ressalta que o simples acesso ao crédito não pode ser o único foco, mas sim a capacitação dos cidadãos para gerenciar suas finanças pessoais, evitando o crescimento descontrolado das dívidas. A conscientização é vista como ferramenta essencial para reduzir a vulnerabilidade financeira e promover decisões mais informadas.
Medidas recomendadas para instituições financeiras e governo na prevenção de dívidas
Além da educação, o economista enfatiza a necessidade de análises de risco mais rigorosas por parte das instituições financeiras, principalmente as fintechs, para evitar concessões indevidas de crédito. O equilíbrio entre ampliar o acesso ao serviço bancário e proteger o consumidor é essencial. Rochlin destaca que, embora as fintechs ofereçam inovação e democratização financeira, a falta de filtros adequados pode levar a uma crise maior de inadimplência, impactando negativamente a economia e o bem-estar das famílias brasileiras.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Logo CNN Brasil







