Banco do Brasil eleva foco em pessoa física para impulsionar rentabilidade

Instituição prioriza crédito a alta renda e consignado diante dos desafios no agronegócio

Banco do Brasil eleva foco em pessoa física para impulsionar rentabilidade
Agência do Banco do Brasil em São Paulo Foto:

Banco do Brasil reforça crédito à pessoa física para melhorar resultados, enquanto carteira do agro segue pressionada.

Banco do Brasil aposta no crédito à pessoa física para elevar rentabilidade

O Banco do Brasil reforçou em maio de 2026 sua estratégia de crescimento focada no crédito à pessoa física, com ênfase nos segmentos de alta renda e crédito consignado, como principal caminho para melhorar a rentabilidade da instituição. Segundo o vice-presidente de gestão financeira, Geovanne Tobias, esse movimento ocorre enquanto o banco encara pressões na carteira do agronegócio. O executivo destacou a importância de focar em operações que equilibrem risco e retorno, priorizando clientes de maior valor e maior resiliência financeira.

Crescimento da carteira pessoa física e desafios de inadimplência

No primeiro trimestre de 2026, a carteira de crédito expandida para pessoa física do Banco do Brasil cresceu 1,4% em relação ao trimestre anterior e 7,7% em 12 meses, atingindo R$361,8 bilhões. Contudo, o índice de inadimplência acima de 90 dias apresentou aumento, chegando a 6,82%, frente a 5,10% do ano anterior. A inadimplência do segmento de cartões de crédito foi particularmente expressiva, com índice de 7,12% no primeiro trimestre. O banco atua para concentrar as linhas de crédito em clientes de maior capacidade e menor risco, especialmente no cheque especial, cartão de crédito e crédito não consignado.

Perspectivas e desafios na carteira de crédito rural

A carteira de crédito rural permanece pressionada, com recuperação esperada somente a partir do segundo semestre de 2026. Em abril, indicadores de pontualidade nos pagamentos ficaram abaixo das metas, sinalizando desafios para os produtores rurais. A nova matriz de resiliência adotada pelo banco a partir de julho de 2025 influencia gradualmente a carteira, com expectativa de melhora gradual na adimplência ao longo de 2026 e 2027. O vice-presidente de agronegócio, Gilson Bittencourt, afirmou que a produção agropecuária brasileira segue forte, e o problema está mais concentrado em fluxos de pagamento do que na receita gerada pela atividade.

Estratégia de capital e geração de valor do conglomerado

O Banco do Brasil mantém previsão de índice de capital principal (Tier 1) em torno de 11% a 11,5% ao longo de 2026, apoiado pela Medida Provisória 1.314 e geração orgânica de capital. Os executivos descartaram a possibilidade de dividendos extraordinários neste ano, priorizando o fortalecimento do conglomerado, que inclui seguridade, asset management, consórcios e meios de pagamento. Essa estratégia visa sustentar o banco durante o atual ciclo de agravamento do risco de crédito, especialmente nas carteiras rural e de pessoas físicas.

Impactos da estratégia para o mercado e para o banco

O desempenho financeiro do Banco do Brasil no primeiro trimestre de 2026 refletiu o agravamento do risco de crédito, com queda de mais de 50% no lucro e retorno sobre patrimônio líquido (ROE) situado em 7,3%. A expectativa da instituição é melhorar o ROE para um intervalo entre 9% e 11% até o final do ano. O foco no crédito à pessoa física de alta renda e no crédito consignado privado busca equilibrar a carteira e aumentar a rentabilidade, mitigando os efeitos da pressão no setor agropecuário. No mercado financeiro, as ações do banco mostraram volatilidade, mas retomaram valorização após os anúncios.

Fonte: www.noticiasagricolas.com.br