Historiador revela prisão em câmara secreta no Solar do Barão durante ditadura

Descoberta de fosso no Solar do Barão ressalta uso do local como quartel e espaço de prisão na ditadura militar

Historiador revela prisão em câmara secreta no Solar do Barão durante ditadura
Solar do Barão durante reforma que revelou câmara secreta. Foto: Cido Marques/FCC

O historiador Elton Barz detalha sua prisão em uma sala com câmara secreta no Solar do Barão durante a ditadura militar de 1978.

Confira a programação completa da reforma no Solar do Barão

Andar térreo: Descoberta de câmara secreta coberta por concreto
Espaço cultural: Museu da Gravura com prensas e impressora em pedra

  • Período das obras: Suspensas temporariamente pela Prefeitura de Curitiba após a descoberta

Solar do Barão como espaço de prisão e sua função histórica em Curitiba

A investigação jornalística revela que o Solar do Barão, construído em 1880 e originalmente residência da família Barão do Serro Azul, serviu como quartel do Exército a partir de 1912, até o fim da ditadura militar no Brasil. Em 1978, o historiador Elton Barz foi detido e permaneceu cinco dias preso em uma sala no local, onde foi encontrada uma espécie de câmara secreta ou fosso. Este local funcionava como ponto de passagem para presos políticos, mas não era centro de tortura, que ficava em outros quartéis da cidade.

Depoimento de Elton Barz sobre sua prisão e reconhecimento do local

Elton Barz tinha 15 anos quando foi detido pela Polícia do Exército ao pichar muros pedindo anistia. Após ser levado ao quartel na Rua Riachuelo, foi transferido para o Solar do Barão, que na época funcionava como quartel militar. Somente anos depois, ao participar da reforma do espaço pela Fundação Cultural de Curitiba, Barz reconheceu a sala e as paredes onde esteve preso. Ele relata que não sofreu tortura e que o local era usado para manter detidos temporariamente.

Impacto da descoberta da câmara secreta na memória da ditadura em Curitiba

A recente descoberta da câmara coberta por concreto no Solar do Barão reacende o debate sobre os espaços utilizados pela ditadura para repressão na capital paranaense. A historiadora Stella Castanharo destaca que o principal centro de tortura era o quartel na Praça Rui Barbosa, mas o Solar do Barão, por sua função de quartel e ponto de passagem para presos, também integra o cenário de repressão local. A Prefeitura de Curitiba suspendeu as obras para preservar essa memória e garantir estudo aprofundado.

Do passado à atualidade: transformação do Solar do Barão em espaço cultural

Depois de sua utilização militar, o Solar do Barão foi adquirido pela Prefeitura em 1975 e transformado em espaço cultural a partir de 1980. Hoje abriga o Museu da Gravura, o Museu da Fotografia, a Gibiteca de Curitiba e o Centro de Pesquisa Guido Viaro. Durante as reformas recentes, encontraram-se estruturas ocultas que indicam a complexidade histórica do prédio, evidenciando a sobreposição de funções e a importância da preservação para a memória social.

Legado pessoal e profissional de Elton Barz após a prisão

Após ser liberado, Elton Barz foi enviado para o exterior por sua família e, ao retornar ao Brasil, formou-se em história. Trabalhou na Fundação Cultural de Curitiba e hoje atua como professor universitário em Ponta Grossa, além de ser dirigente local do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Seu relato contribui para o entendimento do uso dos espaços de repressão durante a ditadura e para a valorização da memória histórica em Curitiba.