A jornada econômica e cultural da Coreia do Sul revela estratégias que podem inspirar o desenvolvimento integrado do Brasil

A trajetória da Coreia do Sul, marcada por industrialização e cultura, traz lições importantes para o Brasil ampliar sua competitividade global.
A jornada de sucesso da Coreia do Sul como referência econômica e cultural
O sucesso da Coreia do Sul nas últimas décadas ilustra uma trajetória de transformação econômica e cultural, marcada por uma forte industrialização e pela projeção global de sua cultura. Desde o final da guerra nos anos 1950, o país adotou políticas governamentais focadas na industrialização, com crédito direcionado e protecionismo para grupos empresariais estratégicos, os chaebols. Essa estratégia impulsionou a Coreia do Sul a se tornar uma das 15 maiores economias do mundo, tanto em PIB nominal quanto per capita. A série “K-Everything” apresentada pelo ator Daniel Dae Kim destaca, além do boom do K-pop, o crescimento de setores como beleza, cinema e gastronomia, que ampliaram a presença sul-coreana no cenário internacional.
Impacto da industrialização e políticas estratégicas na economia sul-coreana
O modelo sul-coreano baseou-se em identificar setores estratégicos e protegê-los para que pudessem crescer e competir globalmente. O Estado concedeu créditos e adotou protecionismo para favorecer empresas-chave, criando um ambiente propício para o desenvolvimento tecnológico e econômico. Essa abordagem não só possibilitou a rápida industrialização como também garantiu a modernização do país, gerando riqueza e elevando o padrão de vida da população. Paralelamente, a Coreia do Sul superou períodos de ditadura para se consolidar como uma democracia estável, fator fundamental para a estabilidade dos investimentos e a confiança internacional.
Lições para o Brasil: integração de ativos e fortalecimento da marca país
O Brasil, que também percorreu um caminho de industrialização e transição para a democracia, possui ativos importantes, como empresas competitivas, um agronegócio robusto, um sistema financeiro sofisticado e uma matriz energética limpa. Além disso, o turismo, a cultura e a gastronomia brasileiras são reconhecidos globalmente. Contudo, a integração desses elementos para fortalecer uma marca país mais consistente ainda é um desafio. Inspirando-se no sucesso da Coreia do Sul, o Brasil poderia desenvolver políticas coordenadas para promover seus diversos setores de forma integrada, ampliando sua atratividade para investidores, turistas e parceiros internacionais.
Desafios atuais e a urgência de políticas integradas no Brasil
Apesar dos avanços, o Brasil enfrenta desafios como contas públicas desequilibradas e juros elevados que limitam seu potencial de crescimento. O momento atual exige menos discursos e mais ações estratégicas e coordenadas entre setores públicos e privados. Eventos internacionais como a Copa do Mundo e a COP30 aumentam temporariamente a visibilidade do país, mas para consolidar sua posição global é necessário um esforço contínuo e abrangente para fortalecer a “marca Brasil” além desses eventos pontuais.
O contexto global e a competição por influência econômica e cultural
Em um mundo em transformação, países emergentes da Ásia Central, sudeste asiático e África buscam ampliar sua relevância global explorando suas vantagens competitivas. Esse cenário reforça a necessidade do Brasil agir rapidamente para posicionar-se melhor no mapa global. Como diz o provérbio chinês mencionado, “a melhor época para plantar uma árvore foi há vinte anos; o segundo melhor tempo é agora”, destacando a urgência de uma estratégia efetiva para o futuro do país.






