crescimento do pib no primeiro trimestre reflete resiliência da economia brasileira

Análise detalhada aponta recuperação da indústria e varejo, com menor impacto do agronegócio em 2026

crescimento do pib no primeiro trimestre reflete resiliência da economia brasileira
Panorama da economia brasileira no primeiro trimestre de 2026. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026 mostra a resiliência da economia brasileira, com destaque para indústria e varejo.

confira a programação completa do crescimento do pib no primeiro trimestre

Produto Interno Bruto (PIB) 1º trimestre 2026: avanço de 1,1% frente ao trimestre anterior
Comparação anual: crescimento de 1,8% em relação ao mesmo período de 2025
Indústria: expansão de 1,6% na comparação anual, com destaque para indústria extrativa mineral (+3,6%) e construção civil (+2,9%)
Serviços: crescimento de 2,1% no ano, com áreas de informação e comunicação avançando 2,4% e transportes recuando 0,7%
Agronegócio: crescimento modesto de 0,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025
Consumo das famílias: expansão de 1,0% no trimestre, apoiada em mercado de trabalho resiliente e estímulos governamentais
Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF): crescimento de 3,5% no trimestre, mas retração anual de 1,4%
Setor externo: exportações caíram 1,7% e importações subiram 4,4%, impactando negativamente o PIB

fatores que impulsionaram o crescimento do pib no primeiro trimestre

O crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026 foi marcado pela recuperação da indústria e do varejo, refletindo uma economia que mantém sua resiliência diante de desafios internos e externos. Rodolfo Margato, economista da XP, destaca que, diferente dos trimestres anteriores, desta vez o agronegócio teve peso menor, enquanto setores industriais e de comércio varejista ganharam força.

A indústria extrativa mineral, puxada pela forte extração de petróleo e gás, apresentou um salto significativo de 3,6%. A construção civil também contribuiu de forma robusta, com alta de 2,9%, sustentada pelo aumento do emprego na área e execução de obras habitacionais. No entanto, a indústria de transformação mostrou estagnação, indicando ainda um comportamento moderado em setores sensíveis aos ciclos econômicos.

impacto do agronegócio e a dinâmica das safras em 2026

O agronegócio apresentou crescimento de apenas 0,7% na comparação anual, influenciado por uma base de referência elevada devido à supersafra registrada em 2025. Leonardo Costa, economista do Asa, ressalta que a produção recorde de soja, 4,8% acima da estimativa anual, foi o principal pilar desse desempenho, favorecido por condições climáticas favoráveis e expansão da área plantada.

Por outro lado, culturas como milho e arroz sofreram quedas de 2,5% e 10,6%, respectivamente, refletindo desafios pontuais no setor agrícola que contribuem para a moderação no crescimento do segmento como um todo.

consumo das famílias e investimentos: pilares da demanda interna

Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias apresentou expansão de 1,0% no primeiro trimestre, sustentado por um mercado de trabalho resiliente e políticas públicas de estímulo. O reajuste real do salário mínimo, as transferências sociais e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil foram fundamentais para manter o poder de compra.

Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), surpreenderam positivamente com alta de 3,5% no trimestre, revertendo a queda do período anterior. Contudo, a comparação anual revela retração de 1,4%, indicando que a taxa de investimento permanece em queda, o que preocupa economistas quanto à sustentabilidade do crescimento no longo prazo.

desafios e perspectivas para o restante de 2026

Apesar do crescimento sólido no primeiro trimestre, especialistas apontam para uma possível desaceleração gradual ao longo do ano devido a fatores como juros elevados, inflação persistente, cenário eleitoral e incertezas no ambiente internacional. Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, destaca o receio do mercado em relação ao segundo semestre, enquanto Carlos Lopes, economista do banco BV, percebe sinais de crescimento próximo de zero no início do segundo trimestre.

No entanto, o consenso ainda mantém uma perspectiva altista para 2026, com projeções de crescimento variando entre 1,7% e 2,0%. Rodolfo Margato acredita que o conjunto de medidas governamentais pode acrescentar até 1,5 ponto percentual ao crescimento do PIB durante o ano.

Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, ressalta que o Banco Central deverá ajustar suas projeções para o hiato do produto, refletindo o forte viés de alta da economia, o que pode impactar a condução da política monetária nos próximos meses.