Inadimplência no agronegócio brasileiro sobe para 8,2% em 2025

Setor enfrenta custos elevados e margens apertadas, segundo levantamento da Serasa Experian

Inadimplência no agronegócio brasileiro sobe para 8,2% em 2025
Agricultor trabalha em campo cultivado no Brasil. Foto: REUTERS/Adriano Machado

Inadimplência no agronegócio brasileiro fechou 2025 em 8,2%, refletindo custos mais altos e fluxo de caixa pressionado.

Cenário da inadimplência no agronegócio em 2025

A inadimplência no agronegócio brasileiro atingiu 8,2% no quarto trimestre de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian. Esse indicador reflete a pressão financeira enfrentada pelos produtores rurais, que lidam com margens apertadas e aumento dos custos, especialmente de fertilizantes e combustíveis, impactados pela guerra no Irã. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa, destaca que o setor enfrenta fluxo de caixa pressionado e crédito mais seletivo, mantendo a inadimplência em alta gradual desde o final de 2024.

Impactos dos custos elevados sobre produtores e economia rural

Os custos mais altos de insumos, como fertilizantes e combustíveis, elevaram a pressão financeira sobre os agricultores, dificultando o pagamento das dívidas. Essa situação afeta não apenas a saúde financeira individual dos produtores, mas também o desempenho geral do agronegócio, que é fundamental para a economia nacional. A volatilidade dos preços no mercado, combinada com a seletividade do crédito, contribui para o aumento das dificuldades financeiras no campo.

Distribuição da inadimplência por porte e região no Brasil

Os dados mostram variação significativa na inadimplência conforme o porte dos produtores. Produtores rurais sem registro oficial, possivelmente arrendatários ou membros de grupos familiares, lideram com 9,9%. Grandes proprietários apresentam 9,8%, médios 8,3% e pequenos 7,8%. Regionalmente, o Rio Grande do Sul destacou-se com o menor índice de 5,3%, seguido por Paraná e Santa Catarina. A performance do Rio Grande do Sul é atribuída à forte atuação de cooperativas, sistemas integrados, uso expressivo do seguro agrícola e programas de renegociação de dívidas.

Relação da inadimplência com instituições financeiras e crédito rural

A inadimplência no setor está concentrada em dívidas com instituições financeiras, que representam 7,2% do total segundo a Serasa. Esse cenário afeta bancos, como o Banco do Brasil, principal financiador do setor, e influencia a política de crédito rural e as condições oferecidas aos produtores. O aumento da inadimplência exige maior cautela na concessão de crédito, o que pode restringir o acesso do agronegócio a recursos essenciais para investimento e produção.

Estratégias e perspectivas para a redução da inadimplência no agronegócio

Para reverter o crescimento da inadimplência, o setor vem adotando estratégias como o fortalecimento das cooperativas, maior utilização de seguros agrícolas e renegociação de dívidas com instituições financeiras. Essas medidas buscam melhorar a capacidade de pagamento dos produtores e reduzir os riscos financeiros. A estabilidade dos custos e o aumento da eficiência produtiva também são fundamentais para garantir a sustentabilidade econômica do agronegócio brasileiro.