Safra 2026/27 registra maior destinação da cana ao etanol, impulsionada pela competitividade do biocombustível frente à gasolina

A safra 2026/27 do Centro-Sul registra quase 60% da cana destinada ao etanol, refletindo a competitividade do biocombustível e recuperação da moagem.
A safra 2026/27 no Centro-Sul e o impacto do etanol impulsiona safra
A safra 2026/27 do setor sucroenergético no Centro-Sul do Brasil começou em um ritmo acelerado, com quase 60% da cana-de-açúcar destinada à produção de etanol. Este avanço reflete diretamente a competitividade do biocombustível frente à gasolina e a recuperação da moagem após um ciclo anterior afetado por condições climáticas adversas. O presidente da UNICA destaca que esse cenário reforça o papel estratégico do etanol no agronegócio brasileiro e na matriz energética nacional.
Recuperação da moagem e qualidade da cana na safra 2026/27
Na segunda quinzena de abril, a moagem chegou a 40,06 milhões de toneladas, superando o dobro do volume do mesmo período da safra anterior. Até 1º de maio, o total processado alcançou 60,46 milhões de toneladas, indicando uma retomada importante da atividade industrial. Além disso, a qualidade da matéria-prima melhorou, com o ATR (açúcar recuperável por tonelada) acumulado em 112,58 kg, um crescimento de 5,4% na comparação anual, que impacta positivamente a rentabilidade das usinas.
Competitividade do etanol e aumento do consumo doméstico
O etanol ganhou força no mercado devido à sua competitividade em relação à gasolina. Na média nacional, a relação de preços entre etanol hidratado e gasolina ficou em 64,5%, e em São Paulo, 61,7%, níveis que estimulam o consumo do biocombustível. Em abril, o etanol hidratado representou 24,6% do consumo da frota leve no Brasil, com destaque para São Paulo, que alcançou 44%, o maior índice desde fevereiro de 2025. As vendas diárias no Centro-Sul cresceram mais de 15% em relação a março, impulsionadas principalmente pelo etanol hidratado.
Expansão do etanol de milho na matriz produtiva
Além da cana, o etanol de milho fortalece sua presença na produção brasileira. Na segunda quinzena de abril, a produção a partir do milho correspondeu a cerca de 19% do total de etanol fabricado na região. No acumulado da safra, já foram produzidos mais de 804 milhões de litros, com um crescimento superior a 12% em comparação ao ano anterior. Este movimento consolida o milho como complemento estratégico à produção tradicional baseada na cana, principalmente no Centro-Oeste.
Papel estratégico do etanol na segurança energética e sustentabilidade
O etanol não é apenas um combustível renovável, mas um ativo fundamental para a segurança energética do Brasil e para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Na safra 2025/26, o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases poluentes e gerou uma economia estimada em R$ 4 bilhões para os proprietários de veículos flex. O programa RenovaBio avança no mercado ambiental, com a emissão de 16,93 milhões de CBios até maio, contribuindo para as metas de descarbonização estabelecidas para 2026.






