Fitch revisa para cima crescimento do PIB do Brasil em 2026, mas reduz projeção para 2027

Agência ajusta estimativas do Produto Interno Bruto brasileiro devido ao forte desempenho recente e menor impulso fiscal futuro

Fitch revisa para cima crescimento do PIB do Brasil em 2026, mas reduz projeção para 2027
Gráfico ilustrativo sobre economia global e descarbonização. Foto: Reinhard Krause/Reuters

Fitch ajusta para 2,1% a projeção do PIB do Brasil em 2026, prevendo desaceleração em 2027 por menor estímulo fiscal e incertezas internas.

Perspectiva revisada para o crescimento do PIB do Brasil em 2026 e 2027

A Fitch ajustou a previsão do crescimento do PIB do Brasil para 2,1% em 2026, após o desempenho acima do esperado no primeiro trimestre do ano. A agência destaca a relevância do crescimento do PIB do Brasil, reforçado pelo consumo sustentado pela taxa de desemprego em mínima histórica e ganhos reais salariais. Entretanto, para 2027, a projeção sofreu uma redução para 1,7%, motivada pelo menor impulso fiscal previsto após o fim do período eleitoral, refletindo um cenário mais contido para a atividade econômica.

Fatores que sustentam o desempenho econômico atual

O crescimento do PIB do Brasil em 2026 é apoiado pela reforma tributária implementada em 2025, que aliviou a carga fiscal sobre as camadas de menor renda, compensada por aumento em impostos para famílias mais ricas. Além disso, os setores de agricultura e extrativismo apresentaram dinamismo significativo, contribuindo para a expansão econômica recente. A combinação desses elementos reforça o consumo interno e impulsiona a atividade produtiva.

Impacto das incertezas políticas e eventos climáticos na economia

A Fitch ressalta que as incertezas decorrentes das eleições gerais em outubro de 2026, somadas ao fenômeno climático El Niño e ao choque global nos preços de energia devido ao conflito no Oriente Médio, elevam a cautela do Banco Central do Brasil. Tais fatores resultam numa postura monetária mais rígida, refletida em previsões de inflação que devem ultrapassar o teto da meta até o final do ano.

Projeções para inflação e política monetária do Banco Central

A inflação medida pelo IPCA-15 indicou aceleração em maio, e as expectativas inflacionárias estão em alta, o que levou a Fitch a projetar um IPCA de 5% até o final de 2026, acima da faixa tolerada pelo Banco Central. Em resposta, a autoridade monetária deve adotar um ritmo mais lento de redução da taxa Selic, agora estimada em 13% para o fim de 2026, acima da previsão anterior de 12%. A taxa deve cair para 10,5% em 2027, mantendo a política monetária relativamente apertada.

Efeito no câmbio e desafios fiscais futuros

O diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, considerando o Federal Reserve, combinado com a possível flexibilização monetária no país, deve pressionar o real para uma desvalorização gradual frente ao dólar. Além disso, as preocupações com o cenário fiscal brasileiro contribuem para essa tendência, indicando desafios para a estabilidade cambial e a confiança dos investidores.

Conclusão: cenários e desafios para o crescimento econômico brasileiro

A revisão da Fitch para o crescimento do PIB do Brasil em 2026 representa um reconhecimento do bom desempenho atual, mas a expectativa de desaceleração em 2027 evidencia as limitações do estímulo fiscal e os riscos externos e internos que podem afetar o cenário econômico. A trajetória inflacionária e a política monetária mais restritiva são elementos-chave para o equilíbrio macroeconômico, enquanto os desafios cambiais e fiscais permanecem pontos de atenção para os próximos anos.