Gabriel Galípolo anuncia medidas para criar pausas na contratação. Dados mostram que 82% das famílias brasileiras possuem dívidas a vencer.

Presidente do Banco Central anuncia medidas para dificultar acesso a linhas de crédito consideradas agressivas ou predatórias no país.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou nesta quinta-feira (24) que a instituição vai adotar medidas para dificultar o acesso a linhas de crédito consideradas agressivas ou predatórias. A iniciativa busca criar mecanismos para levar o consumidor a refletir antes de contratar empréstimos, especialmente nas modalidades de maior risco e custos elevados.
Uma das possibilidades em estudo é alterar a experiência do consumidor durante a contratação, criando etapas que funcionem como uma pausa antes da decisão. Segundo Galípolo, a ideia é criar atrito na experiência para aumentar a consciência e prevenir o crédito predatório.
O presidente do BC citou a inadimplência do cartão de crédito, que chega a 65%, como exemplo de uma modalidade com problemas de desenho. A característica herdada do antigo uso do cheque pré-datado contribui para a exposição dos consumidores a operações de maior risco.
A preocupação do Banco Central ocorre em um momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva amplia a oferta de crédito e programas de renegociação de dívidas para estimular o consumo. Galípolo afirmou que as medidas independem do momento do ciclo econômico, mas não detalhou quais ações serão implementadas.
Dados recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor mostram que 82% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida a vencer, superando os 78,8% do ano passado. Entre os endividados, 29,9% estão com contas atrasadas e 12,5% dizem não ter condições de quitar dívidas vencidas.
Experiências adotadas em outros países estão sendo consideradas pelo Banco Central, com modelos que variam de acordo com o grau de vulnerabilidade do consumidor. Entre as alternativas estão a exigência de autorização prévia para determinadas ofertas a pessoas em situação de superendividamento. O modelo de Singapura também foi citado por Galípolo, onde o BC local estabelece quem pode receber cartão de crédito. A intenção é discutir formas de reduzir a exposição de consumidores a operações financeiras de maior risco.







