Dólar sobe para R$5,19 puxado por alta do dólar no exterior

Moeda norte-americana avança 0,47% e atinge maior fechamento desde 28 de agosto, impulsionada por preocupações com inflação nos EUA

Dólar sobe para R$5,19 puxado por alta do dólar no exterior
Cotação do dólar à vista no Brasil

O dólar à vista fechou quinta-feira em alta de 0,47%, a R$5,1931, acompanhando avanço da moeda nos mercados internacionais em sessão negativa para ativos de risco.

O dólar à vista encerrou quinta-feira em alta de 0,47%, cotado a R$5,1931, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.

Segundo Reuters, a sessão foi geral negativa para ativos de risco. O fechamento marca o maior valor desde 28 de agosto, quando a cotação atingiu R$5,1961. No ano, a divisa acumula baixa de 5,39%.

Às 17h04, o dólar futuro para outubro, atualmente o mais negociado no mercado brasileiro, subia 0,52% na B3, aos R$5,1985.

Após o avanço firme da véspera, em meio à expectativa de novo aumento de juros nos EUA no curto prazo, o dólar voltou a subir ante as demais divisas nesta quinta-feira. Moedas de emergentes como real, peso colombiano, peso mexicano e rand sul-africano também registraram desvalorização.

A alta do dólar se intensificou no fim da manhã, em sintonia com o fortalecimento dos rendimentos dos Treasuries, em função de preocupações com a inflação nos EUA e perspectivas de novas altas de juros pelo Federal Reserve.

Após marcar a mínima de R$5,1653 (-0,07%) às 10h03, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,2020 (+0,64%) às 12h49, momento em que as taxas dos DIs também estavam próximas das máximas do dia e o Ibovespa aprofundava as perdas.

“A taxa dos títulos norte-americanos está bem acelerada, bem acima dos 5%, e o dólar se fortaleceu lá fora também. Isso faz com que o real se desvalorize”, comentou à tarde João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp.

No Brasil, o Banco Central atualizou mais cedo suas projeções econômicas por meio do Relatório de Política Monetária. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 passou de 2,0% para 1,8%, enquanto a projeção para o próximo ano é de 1,4%.

A desaceleração da atividade tem sido citada por analistas como um dos fatores que favorecem novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, nos próximos meses. A perspectiva de uma Selic menor, somada à possibilidade de mais aumentos de juros nos EUA, cuja taxa está na faixa de 3,75% a 4,00%, reduz o diferencial de juros entre os dois países — algo que pode alterar o fluxo de investimentos para o Brasil, com impactos de alta no dólar.