Equipe econômica vê medida como essencial para estabilizar dívida pública, hoje em 82% do PIB, e reduzir taxa de juros

Time econômico de Flávio Bolsonaro (PL) prepara proposta de corte de despesas na ordem de R$ 300 bilhões caso candidate vença eleição.
A equipe econômica do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) vislumbra apresentar uma “PEC da Transição” com corte de gastos na ordem de R$ 300 bilhões, caso ele vença a eleição de 2026. O valor é tratado entre interlocutores do candidato como um “número mágico” para estabilizar a dívida pública, hoje na casa de 82% do PIB.
Os efeitos dessa proposta não seriam necessariamente imediatos, e sim diluídos ao longo do tempo. Os alvos do ajuste estão divididos entre medidas leves, médias e duras, cuja implementação dependerá das condições políticas pós-eleitorais. Conforme informado por fonte que acompanha os debates internos da campanha, os detalhes permanecem sob sigilo.
A proposta se apresenta como inversa à “PEC da Transição” apresentada por Lula (PT) após vitória eleitoral em 2022, quando o petista acertou com o Congresso uma proposta para gastar cerca de R$ 270 bilhões. No caso de Flávio, o objetivo é fazer a despesa crescer menos do que a receita, sem a criação de um novo marco fiscal.
A equipe avalia que o problema fiscal brasileiro só será resolvido com crescimento, mas defende que um corte de gastos imediato seria um forte sinal aos agentes econômicos e já contribuiria para redução da taxa de juros. “Quem não cuida das contas não pode cuidar das pessoas,” de acordo com mensagem da campanha.
Segundo fonte que acompanha os debates internos, a situação econômica do país é “delicadíssima” e “incrivelmente ruim”, mas há potencial para, se não resolver o problema em quatro anos, ao menos “tirar o navio da rota do iceberg para não bater nele e nem afundar”.
O ideal, segundo a equipe, seria acabar com as exceções criadas pelo governo Lula ao arcabouço fiscal, que abriram espaço para um orçamento paralelo. A avaliação é de que um debate sobre novo marco fiscal consumiria muita energia política e tempo. Um interlocutor próximo do candidato afirmou à imprensa que “ou a gente faz o ajuste ou o mercado vai fazer”.
A equipe defende atacar a questão econômica de imediato, sem gradualismo. O receio é que um ajuste suave tenha efeito negativo sobre as expectativas dos agentes econômicos. Como exemplo, cita-se o caso do direitista Mauricio Macri, na Argentina, eleito em 2015, que optou por medidas graduais e não obteve êxito econômico nem político, perdendo a eleição de 2019 para o peronista Alberto Fernández.







