Avaliação de Lula não melhora durante campanha, mostram pesquisas do Datafolha

Presidente mantém 34% de aprovação desde início da campanha em agosto, diferente de predecessores que viram índices subir

Avaliação de Lula não melhora durante campanha, mostram pesquisas do Datafolha
Avaliação do governo Lula durante período de campanha eleitoral. Foto: Arte/g1 — 1 de 2
Avaliação do governo Lula durante o período da campanha eleitoral. — Foto: Arte/g1

Pesquisas indicam que o presidente Lula não conseguiu melhorar avaliação de seu governo desde o início da campanha em 16 de agosto

Pesquisas divulgadas desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, indicam que o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, não conseguiu melhorar a avaliação de seu governo. A situação contrasta com o que aconteceu com outros presidentes que buscavam se reeleger em disputas anteriores.

Na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada na quinta-feira (24), o governo Lula tinha 34% de avaliação positiva (ótimo/bom) e 40% de avaliação negativa (ruim/péssimo). Para 24%, é regular. Quando a campanha começou, em agosto, o índice de ótimo/bom estava em 33%. Depois, oscilou para 31% e 32% nas primeiras semanas de setembro, e agora está em 34%.

Fernando Henrique Cardoso, em 1998, o próprio Lula, em 2006, e Dilma Rousseff, em 2014, viram aumentar durante a campanha a parcela de eleitores que consideravam o governo ótimo ou bom, segundo dados do Datafolha analisados. Em 2022, Jair Bolsonaro chegou ao 1º turno praticamente no mesmo patamar em que iniciara a campanha, mas os números melhoraram durante o 2º turno, após o reajuste de benefícios sociais e medidas para baixar o preço dos combustíveis.

Há uma diferença importante entre os períodos analisados. Até 2014, o período de campanha era mais longo e começava em julho. A partir de 2016, a legislação reduziu a duração de 90 para 45 dias. Por isso, os períodos não têm exatamente a mesma duração.

Para Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, a dificuldade em melhorar sua avaliação é o “principal calcanhar de Aquiles da campanha de Lula”. Segundo ele, existe um efeito de campanha, mas ele não é automático. “Durante a eleição, o presidente ganha mais oportunidades de mostrar entregas, defender seu governo e contrastá-lo com a alternativa. Isso pode levar parte de quem o avaliava como regular a passar a considerá-lo bom. Mas a campanha também expõe problemas e amplia a cobrança”.

Nunes afirma que a série histórica mostra que governos tendem a melhorar a avaliação nesse período, mas isso depende de uma mensagem que dialogue com o sentimento do eleitor naquele momento. “Lula precisa convencer eleitores que já conhecem seu governo, mas ainda não sentem”.

Nesta sexta-feira (25), a nove dias do 1º turno, Lula assinou uma medida provisória para proibir bets e jogos online como “Tigrinho”. No dia 18, anunciou um reajuste do Bolsa Família. Flávio Bolsonaro (PL-DF) criticou e chamou o banimento das apostas esportivas de “estelionato eleitoral”.