Líder social-democrata desiste de formar governo na Suécia

Magdalena Andersson devolveu mandato após não conseguir apoio suficiente entre partidos de esquerda para maioria parlamentar.

Líder social-democrata desiste de formar governo na Suécia
Crise nas negociações levou à desistência da líder social-democrata em formar coalizão

Magdalena Andersson desistiu nesta segunda-feira de tentar formar novo governo na Suécia após não reunir apoio suficiente entre partidos de esquerda.

A líder do Partido Social-Democrata da Suécia, Magdalena Andersson, desistiu nesta segunda-feira (28) da primeira tentativa de formar um novo governo no país, duas semanas após seu partido terminar as eleições parlamentares como a maior força política. Andersson devolveu ao presidente do Parlamento o mandato que havia recebido para buscar uma coalizão capaz de assumir o governo após não conseguir reunir apoio suficiente entre o grupo de esquerda.

“Posso concluir, com base nisso e nas conversas que mantive, que neste momento não há possibilidade de eu formar um governo”, afirmou Andersson durante entrevista coletiva nesta segunda.

Segundo a Autoridade Eleitoral sueca, os Social-Democratas conquistaram 28% dos votos e 99 das 349 cadeiras do Parlamento na eleição realizada em 13 de setembro. O Partido de Esquerda ficou com 30 cadeiras, os Verdes com 22 e o Partido de Centro com 25. Juntos, os quatro somam 176 deputados, um a mais do que os 175 necessários para formar maioria.

Uma das principais dificuldades enfrentadas nas negociações está na relação entre o Partido de Esquerda e o Partido de Centro. A líder do Partido de Esquerda, Nooshi Dadgostar, afirmou depois das eleições que sua legenda só apoiaria um novo governo se participasse dele. O Partido de Centro, por outro lado, rejeitou a possibilidade de integrar uma coalizão com a esquerda.

O impasse se aprofundou neste fim de semana, quando o Partido de Esquerda decidiu apoiar Andreas Norlén, dos Moderados, de centro-direita, para continuar como presidente do Parlamento, em vez de respaldar a candidata social-democrata Johanna Haraldsson para o cargo. O Partido de Esquerda justificou a escolha por Norlén à frente do Parlamento por considerá-lo “experiente, equilibrado e capaz de exercer o cargo com neutralidade”, apesar das diferenças políticas entre as legendas.

Andersson afirmou que essa decisão foi determinante para devolver o mandato. Segundo ela, existe na Suécia uma tradição de entregar a presidência do Parlamento ao maior partido que integra o governo e, diante do apoio da esquerda ao candidato dos Moderados, seria razoável permitir que essa nova combinação de forças políticas apresentasse uma candidatura alternativa para chefiar o executivo.

Com a desistência de Andersson, o presidente do Parlamento sueco deverá iniciar novas rodadas de negociação para encontrar uma alternativa de governo. Espera-se que novos líderes partidários recebam o mandato de tentar formar coalizões viáveis, em um processo que pode levar semanas para ser concluído.